Inesperadamente ouve-se uma sirene, estridente, gritando em nossos ouvidos, diante da casa da gente ou passando por nós na barulhenta via pública. Quem a toca assim, indiferente ao silêncio que teria de ser respeitado na área? É a toda poderosa viatura do Corpo de Bombeiros, cuja sofisticação é tão simpática quanto as suas dimensões, por cujos aspectos impressionam já nem tanto os tímpanos abertos como também os olhos assustados. E onde vai ela assim em velocidade descomunal? O óbvio entra de imediato nas conclusões da gente, indicando claramente que ela está circulando mais uma vez (quantas já não teria feito nas últimas horas?), de maneira diferente de outras, porque foi acionada para prestar alguma de suas atribuições urgentes-urgentíssimas. Novamente está se deslocando de seu quartel para combater incêndio em prédios ou florestas, resgatar cadáveres em qualquer condição e local, recolher náufragos em alguma lagoa ou oceano, impedir a ação de suicidas ou prender animais enfurecidos. Tudo isso entre outras tarefas que cabem aos bombeiros em geral, sempre corajosos, sempre solícitos, sempre prontos para enfrentar perigos que ameacem a comunidade, os quais, quando da criação de seu valioso serviço, isto há mais de 100 anos, eram requisitados através de toques de sinos das igrejas ou por solicitação verbal de particulares que se dirigiam aos quartéis para dar o alarme. E, então, saíam os homens para a arriscada tarefam naquela época munidos apenas de pequenas bombas a vapor e tendo por carona carros-pipas puxados por um ou dois burros, nos quais levavam, como ainda hoje levam nos seus veículos, coragem e determinação, porque faça sol ou faça chuva estão sempre propensos a debelar o grande inimigo da vida e dos bens públicos e particulares, notoriamente chamado de fogo. Por isso, um grupo de choque, cujos homens até dormem fardados, está sempre preparado para atender aos chamados e não dar tréguas às labaredas, para o que em seus estudos militares passam invariavelmente por exames e testes de psicotécnica, de saúde e capacidade física. Até por essa razão uma revista que temos em mãos diz que “bombeiro é fogo...†E, conseqüentemente, faz jus a total admiração e a todo reconhecimento da sociedade, a qual, ao vê-lo passar nas ruas e avenidas ao invés de se assustar com suas buzinas deve bater-lhe honrosa continência. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)