08 de julho de 2026
Bairros

Eleição escolhe o currículo escolar

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O novo currículo das escolas estaduais de todo o Estado de São Paulo será escolhido através de uma eleição pela Internet. A principal novidade das sugestões apresentadas pela Secretaria de Estado da Educação é a inclusão de disciplinais da área de humanas, como psicologia, filosofia, sociologia para alunos do ensino médio (antigo colegial) e remanejamento de carga horária para alunos do ensino fundamental (de 5.ª a 8.ª série).

As 6.100 escolas do Estado começaram a discutir as novas propostas ontem e a partir de hoje já podem fazer a escolha. “As escolas devem escolher as propostas até sexta-feira. Depois desta data vamos tabular os resultados e, no começo do próximo, estaremos divulgando qual das propostas será adotada pela rede pública”, afirma Gabriel Chalita, secretário estadual de educação, através de sua assessoria de imprensa.

Uma das três propostas sugeridas pelo governo é de que as próprias escolas façam suas grades curriculares, desde que estejam incluídas disciplinas básicas e respeitadas as Leis de Diretrizes de Base (LDB) da educação.

Para o ensino fundamental (de 5.ª a 8.ª série), a secretaria apresentou três opções: manter o currículo como está; redistribuir aulas, aumentando a carga horária de matéria de humanas; ou redistribuir aulas, aumentando matéria de ciências naturais e matemática.

Já para o ensino médio existem quatro propostas: manter o currículo como está; acrescentar filosofia e aumentar a carga de português; manter o 1.º ano como está, e deixar que cada escola escolha como distribuir as aulas no 2.º e 3.º anos; ou elaborar outro modelo de grade curricular, de acordo com as sugestões de cada escola.

Para a 1.ª a 4.ª série não existem propostas, pois já foram feitas mudanças. “Num momento anterior a rede foi ouvida e constatou-se que a principal solicitação era a inclusão de aulas de educação física e de ensino de arte, dadas por professores habilitados para isso”, lembra Chalita.

O Sindicato dos Professores da Rede Oficial de Ensino (Apeoesp) já avisa que será contrário a qualquer mudança que resulte em redução de aulas seja qual for a disciplina. “Somos favoráveis à inclusão de novas disciplinas, mas sem a redução do número de aulas das que já fazem parte do currículo”, explica Maria Aparecida de Oliveira Santini, conselheira do sindicato.

Ontem, sem conhecer detalhes das propostas, ela disse que a redução de aulas de algumas disciplinas para dar espaço a outras representaria prejuízo à qualidade do ensino e redução de trabalho para professores já contratados pelo Estado. “A mudança é possível aumentando a carga horária, voltando ao sistema de hora/aula”, diz.

Atualmente, está em vigor o sistema de aula/relógio, de 60 minutos de aula. O sistema hora/aula é de 50 minutos por aula. “Assim seria possível incluir uma aula a mais na grade por dia, com a redução de dez minutos de cada aula”, afirma. “Mas o que estamos escutando é que o governo vai diminuir uma disciplina para aumentar outra, o que somos contra”, protesta.

O dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, defende a redução de aulas de português para a inclusão de filosofia, psicologia e sociologia no ensino médio. “Com essa mudança vamos ter uma grade mais voltada para a humanização do aluno, o que considero muito importante”, afirma.