Gália - O adolescente A.J.S., de 17 anos, está custodiado na cadeia pública de Gália sob acusação de ter matado, com um golpe de faca, o vizinho e amigo L.R.V., de 11 anos. O crime que chocou a cidade ocorreu no último sábado à tarde e a vítima morreu no domingo de manhã. Segundo a polícia, o autor agiu premeditadamente. Motivo do desentendimento entre os dois teria sido uma vara de pesca.
De acordo com o delegado Valdir Tramontini, que responde interinamente pela Delegacia de Gália, o crime aconteceu no bairro São Benedito, periferia da cidade, onde os dois eram vizinhos.
Em depoimento à polícia, o adolescente contou que ele e L.R.V. haviam se desentendido durante a semana passada por causa de uma vara de pescar, nas proximidades do próprio bairro. A.J.S. teria pedido a vara que estava com L.R.V. e este não quis dar, daí a briga que no mesmo dia não teve maiores conseqüências.
Entretanto o adolescente não teria esquecido o entrevero e teria planejado matar o menino. Ele contou à polícia que no sábado convidou L.R.V. para apanhar manga. Supostamente, imagina-se que o amigo já tivesse esquecido a briga e aceitou o convite. Outros dois menores também teriam ido junto. Quando chegaram ao local, o adolescente teria sacado de uma faca atingindo a vítima com um golpe no peito. Todos teriam saído correndo após o crime, inclusive a vítima teria caminhado até uma rua onde foi socorrida por populares.
Do pronto-socorro de Gália, a vítima foi transferida no mesmo dia para um hospital de Marília, onde morreu ao amanhecer de domingo. A faca usada contra a criança foi apreendida e a polícia pediu a custódia de A.J.S. por 45 dias. O acusado cursava a quarta série e a vítima, segundo a Polícia Militar da cidade, se formaria no dia do crime, no Proerd, um programa voltado a crianças, no combate à violência e uso de drogas.
Como se trata de menor, a pena máxima prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente para um crime que tenha sido cometido por uma adolescente é a internação por até três anos em uma unidade da Febem.
Banalização da vida
A morte por espancamento de um outro menor, desta vez em Bauru, também no último fim de semana, foi analisada pela psicóloga Ana Cristina Pereira, como sendo o resultado da banalização da vida, disseminada por jogos e “enlatados†televisivos importados.
De acordo com a psicóloga, que também trabalha com jovens em seu consultório, “Matar ou morrer virou algo corriqueiro, natural. A criança cresce achando isso comum. Assim, a vida perde o valor. Há alguns anos, nem os super-heróis matavam. Fiquei chocada quando tive contato com jogos de vídeo game: o termo usado é matar mesmoâ€.
Para ela, episódios assim são um retrato de uma situação que envolve um emaranhado de fatores, inclusive o sistema capitalista semeador da competição desmedida. “Os jovens aprendem que algumas metas ou objetivos devem ser conquistados a qualquer custo, justamente numa fase em que a questão da auto-afirmação é muito forte. É o poder e a competição que mobilizam para a violênciaâ€, explica.