Para que o projeto “Bauru+10 - Construindo o Futuro†realmente saia do papel e seja colocado em prática será necessário uma grande mobilização da sociedade. De acordo com o professor de economia e administração da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Alcides Gobbo Júnior, a participação de todos os setores da cidade será imprescindível para o sucesso da iniciativa. “Nós estamos apenas lançando a idéia. Mas ela tem de crescer e se desenvolver junto aos moradores de Bauruâ€, afirma.
O Bauru+10 nada mais é do que um embrião da Agenda 21 do município, um compromisso assumido por 170 países do mundo na Conferência sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada em 1992, no Rio de Janeiro.
O Brasil está na fase de constituição da sua Agenda 21. No entanto, para finalizar o documento é necessário que os principais municípios do País tenham agendas locais, que visem o desenvolvimento regionalizado.
De acordo com Gobbo Júnior, um dos primeiros passos do projeto é definir uma secretaria provisória, a partir da qual será criada uma organização não-governamental (ONG) para tocar o projeto. “Nós lançamos a idéia, mas cada grupo terá de eleger os seus representantes para compor essa secretariaâ€, explica o professor.
Para detalhar melhor, esses grupos seriam compostos por lideranças da indústria, do comércio, dos transportes, da saúde, da educação, entre outros. “Cada um sabe interpretar melhor as características da sua área de atuaçãoâ€, destaca Gobbo Júnior.
Cumprida essa etapa, o próximo passo seria fazer um diagnóstico da situação atual de cada setor da sociedade. Os dados levantados seriam reunidos em um documento único, que mostraria os pontos fortes e fracos do município, as ameaças e oportunidades e os problemas mais importantes.
Também seriam apontadas as vocações e competências da cidade. A diferença entre esses dois tópicos é que vocação é algo inerente ao município, ou seja, ligado às suas características naturais; já competência está associada ao desenvolvimento de determinadas áreas. “Por exemplo, Bauru não tem vocação para a área de odontologia, mas tem competência no setor e é reconhecida em todo o País pela sua Faculdade de Odontologiaâ€, explica o professor de estatística da Unesp, Jair Manfrinato.
Cronograma
O projeto está todo definido, mas ainda carece de um detalhe: o cronograma que vai determinar quanto tempo os voluntários que se propuseram a encampar a idéia terão para realizar os levantamentos. “Esse é um próximo passo que vamos cumprirâ€, diz Gobbo Júnior.
O ideal é que toda a sociedade se envolva no projeto, dando sugestões e participando de todos os processos para implantação do Bauru+10. No entanto, Manfrinato esclarece que, para liderar os grupos de discussão, é necessário que a pessoa tenha conhecimento técnico da área. “Para saber o que o setor de saúde precisa e em que se destaca, o participante tem que ter um bom conhecimento específicoâ€, avisa.
Ele destaca que todos têm de “comprar†a idéia do projeto, pois um setor está diretamente ligado ao outro. “Não adianta só os representantes da educação, ou da indústria, do comércio, aderirem ao Bauru+10. Se não houver integração de toda a sociedade, a cidade não vai melhorar a sua imagemâ€, diz.
De acordo com a metodologia do projeto, o segundo passo seria traçar diretrizes para colocar em prática o que foi discutido no primeiro instante. “Depois de ter em mãos quais os pontos fortes e fracos da cidade, teremos que determinar o que fazer para melhorar o que está ruim e manter o que está bomâ€, define Gobbo Júnior.
A formulação da estratégia de desenvolvimento sustentável viria em um terceiro passo. Nessa fase, entrariam a formulação de projetos e ações visando combater os problemas do município e fortalecer as suas competências e vocações.
Avaliadas as estratégias, os organizadores do projeto partiriam para o plano de ação, ou seja, a elaboração do plano de desenvolvimento e competência, os fatores estruturais e organizacionais e a implementação das ações.
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Desenvolvimento não acontece por acaso
• as cidades, assim como as empresas, vivem num mundo concorrencial para atrair investimentos, visitantes e moradores.
• As cidades precisam de uma visão estratégica para guiá-las.
• o futuro afeta e interessa à população e aos agentes sociais e econômicos que nelas atuam. Já não é mais um problema exclusivo das administrações. (Fonte: Projeto Bauru+10)
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Projeto quer definir:
• quais os principais concorrentes da cidade.
• as vantagens e desvantagens competitivas.
• as ameaças e as oportunidades que o ambiente nacional e internacional oferecem.
• estratégias e projetos de longo prazo para se alcançar o modelo desejado. (Fonte: Bauru+10)