Os quase 100 anos de história do Distrito de Vila Falcão estão contados no livro “Falcão/Independência: Nossa gente e nossa históriaâ€, que será lançado no próximo sábado, durante a feira-livre do bairro. Pesquisador histórico, o autor da obra, Irineu Azevedo Bastos, conta como tudo começou e qual foi a importância do bairro no desenvolvimento e andamento da cidade.
Segundo ele, a vila foi “batizada†pelo sobrenome da família que a loteou. Como a Vila Quággio, o bairro nasceu espontaneamente, a partir do assentamento dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em 1905. “Em 1921, a Noroeste inaugurou as oficinas em Bauru. Aí, desandou a vir gente de todos os lados para trabalhar na Noroeste. Com isso, a vila tornou-se um bairro tipicamente ferroviárioâ€, comenta.
Em 1936, segundo ele, a Vila Falcão recebe o título de Distrito de Paz de Bauru - registro dado até hoje ao território cujas fronteiras se iniciam no Rio Batalha, passam pela cabeceira do córrego Água da Ressaca, indo até sua foz, no Rio Bauru. Seguindo por esse rio, encontra o córrego da Grama, até sua nascente e até o espigão da Água Parada com o Rio Batalha.
A história do livro envolve todo esse território, que engloba vários bairros, como as vilas Nipônica, Independência, Jardim Ferraz, Ouro Verde, Ipiranga, Quinta Ranieri, Pacífico, Industrial, Dutra, Celina, Alto Paraíso, Giunta e tantas outras.
Bastos conta como foi a evolução do distrito nesses quase 100 anos: os primeiros comerciantes, as famílias mais tradicionais, os principais loteadores. Para ele, a vila foi um verdadeiro pólo no desenvolvimento da cidade, crescendo numa velocidade bem maior que todos os outros bairros.
“A vila recebeu, por exemplo, a Instituição Toledo de Ensino, que se transformou num centro de excelência de educação. Depois recebeu a Fundação Educacional, depois o campo do Noroeste, que pegou fogo e foi para lá. Também recebeu o sanatório de tuberculosos - hoje Hospital Manoel de Abreu. Por aí, você nota que a vila tinha essa predestinação para evoluirâ€, defende.
No setor cultural, Bastos ressalta que foi na Vila Falcão que surgiu a primeira escola de samba da cidade. “A Mocidade Independente foi a primeira a realmente impor um Carnaval com características de escola de samba e foi várias vezes campeã, tendo a primazia por mais de dez anos. Sem contar o futebol amador, que teve grandes times de futebol, como o Fortaleza - único time pentacampeão do amador de Bauruâ€, lembra.
Questionado sobre a origem da idéia de escrever um livro sobre o distrito, Bastos afirma que pensava em escrever a história do pai, Irineu Bastos. “Mas ele foi eleito ali, pelo bairro, e eu achei que deveria escrever sobre a vida e sobre as pessoas que tiveram influência em tudo issoâ€, ressalta.
Irineu Bastos, o pai, foi um dos 29 vereadores eleitos na primeira gestão democrática, em 1947, após o término da ditadura Getúlio Vargas. Segundo o filho, o pai militou na política por 35 anos a partir daí.
“Meu pai era açougueiro. Meu tio Juvenal era subprefeito da Vila Falcão - foi o único subprefeito. Ele era popular e candidatou-se a vereador. Na época, fizeram meu pai se candidatar também. Meu tio não se elegeu, mas meu pai foi eleito prefeito de Bauru, entre 1960 e 1963â€, informa.
Bastos, o filho, diz que, apesar de ter acompanhado toda a trajetória política do pai, nunca quis saber de eleitorado. â€œÉ um negócio muito intempestivo. Eu converso sobre tudo em política, mas como teórico e estudioso, não como militante. Cheguei a ser chefe de Gabinete no governo Tuga Angerami, em 1984, e secretário de Administração do Tidei (de Lima), em 1993 e 1994. Mas sóâ€, conclui.
Serviço
O livro “Falcão/Independência: Nossa gente e nossa história†será lançado no próximo sábado, dia 21, às 10h, na feira-livre da rua Carlos de Campos, quadra 12, na Vila Falcão.