09 de julho de 2026
Articulistas

Banco Central: autonomia


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Após a indicação de Meirelles para a presidência do Banco Central, fica a expectativa em torno da real autonomia que terá, e isso será sentido quando for compor seu grupo de assessores. Não devemos considerar o massacre da mídia em torno da origem partidária do novo presidente do Banco Central. Acima dos partidos há o interesse nacional. Vindo do mercado, operando diariamente nas mesas de operação, Meirelles se credencia a dar ao Banco Central do Brasil a independência necessária para implementar ações que garantam a estabilidade econômica. Mesmo o Brasil não tendo como nos Estados Unidos um Banco Central independente, é necessária a autonomia do BC brasileiro, desvinculando as necessidades econômicas dos interesses políticos.

E os desafios não são poucos: terá que ser acima de tudo um guardião dos interesses nacionais. Nesse aspecto está um passo à frente de Armínio Fraga, atual presidente do Banco Central. Na sabatina no Congresso (que deve referendar seu nome) teremos a real dimensão de seus planos. Como será a política monetária a partir de agora? Manterá a postura conservadora que utilizava o enxugamento da liquidez como um dos poucos remédios para o controle da economia? Utilizará dos mesmos expedientes atuais para garantir estabilidade no câmbio? O acordo com o FMI será mantido? Isso só para citar alguns pontos críticos da conjuntura econômica nacional. É evidente que ele não será o único a decidir sobre essas questões. Palocci, futuro Ministro da Fazenda, terá papel importante neste processo.

Na prática, um deve complementar o outro: o político Palocci e o técnico Meirelles (apesar de sua recente eleição como deputado). Aí está o desafio: equilíbrio entre as duas forças, permitindo, como colocado, garantir a autonomia necessária para as ações do Banco Central. Quanto às análises das virtudes e defeitos de Meirelles, fiquem tranqüilos: qualquer que fosse o indicado seria avaliado da mesma maneira. Um coisa ficou evidente: o PT de agora não é o mesmo PT do passado, isso fica claro com a indicação de Meirelles à presidência do Banco Central. (O autor, Reinaldo Cafeo, é delegado do Corecon e Mestre em Comunicação)