10 de julho de 2026
Política

Lima Verde elogia escolha de ministro

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, está satisfeito com a escolha do produtor rural Roberto Rodrigues para o Ministério da Agricultura.

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou Rodrigues para o ministério anteontem. â€œÉ uma pessoa de personalidade fácil, tem uma penetração muito grande junto aos seus colegas, é extremamente realizador e criativo”, elogia Lima Verde.

Ele conta que, embora o novo ministro da Agricultura já esteja na faixa dos 70 anos, tem como virtude o acompanhamento da modernidade do mundo.

“O termo agrobusiness é criação dele. Não existe nem em inglês. O Roberto é muito ligado ao setor de cooperativa. Não conheço ninguém que não goste dele”, reforça.

Na avaliação do vice-presidente da Faesp, um dos principais desafios de Rodrigues será o enfrentamento do protecionismo comercial dos Estados Unidos e dos países europeus.

“Só a Comunidade Européia injeta US$ 360 bilhões por ano de subsídios na agricultura. Nos Estados Unidos, temos que ver que o presidente George W. Bush é provinciano. O negócio dele é Estados Unidos e só”, analisa.

Lima Verde diz que a agricultura brasileira, em linhas gerais, vai bem. “Temos problema de preço, mas o principal problema é conseguir vender lá fora”, observa.

“Subsídio eventual”

Lima Verde tem restrições quando o assunto é subsídio para a agricultura. “Sou partidário de subsídio eventual. Se um produto está com dificuldade, o governo tem que subsidiar. No Brasil ocorre isso: o preço, às vezes, está lá em cima e de repente não compensa nem colher, porque o preço veio para baixo”, explica.

O líder ruralista afirma que o setor “é tímido” quando o assunto é subsídio porque no Brasil falta dinheiro para setores básicos, como saúde. “Lá fora, no Exterior, fazem porque a opinião pública aceita.”

Ele conta sobre um amigo produtor de leite na Inglaterra que recebe cerca de US$ 7 mil por mês a título de subsídio do governo britânico. “Ele me disse que só consegue sobreviver porque recebe esse subsídio. Mas lá, a opinião pública aceita. Isso sai do bolso de alguém”, afirma.

Quanto à questão da dívida, Lima Verde informa que o setor agrícola brasileiro ainda deve cerca de R$ 25 bilhões. “Alguns planos foram feitos, como o da renegociação da dívida com prazo de 20 anos.”

Na opinião dele, outros dois grandes desafios para o novo ministro da Agricultura são a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e o Mercosul.

“Nesses dois assuntos, o Roberto tem muita experiência.”