09 de julho de 2026
Bairros

Em 45 dias chove mais que em 3 meses

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos 45 dias, choveu 382,7 milímetros em Bauru. Esse índice é quase três vezes maior que os 139,4 milímetros registrados entre os meses de agosto, setembro e outubro. Só na madrugada de ontem, entre às 24h30 e às 6h30, caíram 75 milímetros de chuva, sendo que 20 milímetros em apenas dez minutos, de acordo com dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Se tivesse chovido na mesma intensidade por uma hora, teriam caído 120 milímetros, volume considerado muito alto pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM). A entidade recomenda o máximo de atenção para chuvas com intensidade a partir de 30 milímetros por hora, que podem provocar transtornos como alagamentos.

O mesmo grau de precipitação foi registrado no dia 8 de fevereiro do ano passado, quando quatro pessoas morreram devido à fúria das enchentes provocadas por tempestade.

Naquele dia, choveu 30 milímetros em 15 minutos, de um total de 50 milímetros derramados em quase três horas - das 19h10 às 21h50. Como a intensidade de chuva é apurada a partir da quantidade de precipitação em relação ao tempo, a proporção é a mesma.

Os números divulgados pelo IPMet também mostram que embora o mês de dezembro não se encerrou, a quantidade de água que caiu nestes dois últimos meses é próxima ao índice pluviométrico do mesmo período do ano passado, quando foi registrada a concentração de 472,1 milímetros (veja quadro).

Para o meteorologista do instituto, Luiz Fernando Nachtigall, é provável que chova mais neste ano em relação a 2001. “Tranquilamente dá para chegar e superar a concentração de água do ano passado. Ontem (anteontem) à noite choveu bastante. Se chover assim até o último dia do ano, bateremos o índice”, calcula.

Segundo ele, precipitações acima de 30 milímetros por hora podem provocar transtornos como enchentes em regiões com infra-estrutura frágil. Por causa da chuva da madrugada de ontem, três veículos ficaram ilhados e moradores de várias regiões sofreram com o refluxo de esgoto.

Estiagem

Por outro lado, o nível do rio Batalha na estação de captação está normal, ou seja, com 1,5 metro de água. Em outubro, durante o período de estiagem, ele chegou a cair para 1,2 metro. Devido à seca, o município sofreu com o rodízio. O abastecimento era diário, mas a água era liberada apenas em alguns horários.

Há três meses, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) chegou a utilizar só uma das suas três bombas de sucção porque o nível de água do rio estava baixo. Já em novembro, devido à quantidade satisfatória do líquido, a autarquia municipal voltou a trabalhar com uma bomba a menos por razão oposta: o volume de água tratada e reservada era grande, o reservatório estava cheio.

De acordo com a assessora de imprensa do DAE, Sandra Firmino, a situação atual está dentro da normalidade. “Tem chovido na cabeceira do rio, o calor não está mais tão intenso e a população não está consumindo tanto”, informa.

____________________

Previsão do tempo

As chuvas devem continuar no Estado de São Paulo até sexta-feira, de acordo com as previsões meteorológicas do IPMet. As precipitações terão caráter isolado no decorrer do dia de hoje.

Neste intervalo de tempo, a precipitação da chuva se intensificará à tarde e as chuvas podem extrapolar o período noturno, transcorrendo durante toda a madrugada até o início do dia.

“Estamos num período em que a atmosfera da nossa região está muito instável e com facilidade para formar área de precipitação. As máximas continuarão entre 30 e 32 graus”, explica o meteorologista do IPMet, Luiz Fernando Nachtigall.