09 de julho de 2026
Bairros

Chuva provoca transtornos em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A chuva que caiu na madrugada de ontem em Bauru deixou três veículos ilhados, provocou refluxo de esgoto em 15 residências e agravou a situação dos buracos, que povoam as já castigadas vias públicas. Na madrugada de ontem, em dez minutos, caíram 20 milímetros de água, índice considerado muito alto pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM).

A instituição internacional recomenda alerta máximo para precipitações que atinjam 30 milímetros em uma hora. Devido à quantidade de água em período tão curto, um veículo ficou flutuando no cruzamento das avenidas Rodrigues Alves com Pedro de Toledo.

Num outro ponto, também na Rodrigues Alves, na altura do viaduto da rodovia Marechal Rondon, outro motorista ficou na mesma situação. A chuva ainda ilhou um terceiro condutor que transitava pela rotatória da avenida Alfredo Maia. O Corpo de Bombeiros foi acionado para auxiliá-los, contudo não soube informar sobre os automóveis envolvidos na ocorrência.

O número de vítimas só não foi maior em função do horário e da conscientização da população. Esta é a opinião do coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, para quem os bauruenses estão deixando de se aventurar em enxurradas. “Se precisar, os motoristas dão volta de até um quilômetro para evitar ruas com lâminas d’água. A avenida Nações Unidas, por exemplo, tem o tráfego muito diminuído em dias de chuva”, ressalta.

Mesmo assim, os moradores continuam jogando lixo em bocas-de-lobo, o que provoca alagamentos e refluxo de esgoto. “Para acabar com as enchentes temos de combater em duas frentes: a estrutural e a cultural. As duas estão aquém do desejado”, garante.

Para ele, os bauruense continuam jogando objetos de toda natureza em galerias, que deveriam ter a tubulação limpa a cada dois ou três anos por uma empresa especializada. Segundo Brito, essas medidas poderiam evitar alagamento em 30% a 40% dos casos. “Quando chove, a rede de esgoto não suporta o fluxo e estoura ou provoca refluxo”, alerta.

Refluxo

Essa é a dificuldade vivida pelo morador Luiz Aparecido da Silva, que mora na quadra 19 da rua José Miguel, na Vila Popular Ipiranga. Desde a chuva da madrugada de ontem, sua família e dos vizinhos sofrem com o refluxo de esgoto. “Sempre que chove é assim. Nem precisa cair muita água. Tenho três bebês em casa, que estão passando mal com o odor e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não toma providências”, reclama.

Devido ao problema, ele fechou sua sorveteria pois os clientes a evitam, já que o esgoto está empoçado na rua e retornando no banheiro do estabelecimento. Silva queixa-se de arcar sozinho com o prejuízo provocado pela falta de clientes, problema também vivenciado por um posto de combustível localizado na quadra 1 da avenida Daniel Pacífico.

O local ficou tomado por esgoto ontem pela manhã e anteontem. “Quando os clientes percebiam a situação, ligavam o carro e iam embora. O DAE esteve aqui no domingo, resolveu o problema e desinfetou o posto. Hoje (ontem), o vazamento voltou e o mesmo procedimento foi realizado”, informa o frentista Maurício Gonçalves.

A chuva também prejudicou um outro posto na quadra 23 da avenida Bernardino de Campos, no Jardim Jussara. A via pública foi asfaltada há cerca de três meses, mas assim como o estabelecimento é invadida por terra e pedras das ruas transversais, que não dispõem de pavimentação.

“A lama desceu e chegou até as bombas. Pedimos à prefeitura uma máquina para retirá-la, mas disseram que não tinham. Toda vez que chove é a mesma coisa”, conta o frentista Edmar Benedito.

Segundo ele, nesta época do ano, as ruas do bairro também sofrem com as erosões, como a evidenciada pela equipe do JC na rua Alice de Azevedo Marques.