O clima de otimismo impera entre empresários do setor industrial de Bauru consultados pela reportagem. Após dois anos de estagnação neste segmento, em função de crises internas e pressões externas, as expectativas para 2003 são de que a indústria volte a desenhar uma curva ascendente no gráfico de desenvolvimento e retomada da produção.
O vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube, avalia que as indicações já feitas pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, para diversos ministérios estão se refletindo de forma muito positiva no mercado em geral e entre a população.
“Isso já está gerando bons resultados, como as quedas do dólar e do risco-país. Acredito em resultados positivos já no final do primeiro semestre de 2003, com um tom mais acentuado a partir do segundo semestre, com curva ascendenteâ€, afirma.
Para ele, tudo indica que Lula dará prioridade às reformas da previdência, tributária e do trabalho. “Além disso, acredito que o novo governo caminhará na rota da independência econômica do País. Isso será ótimo, porque não podemos mais continuar tão suscetíveis como nos últimos anos, de forma que qualquer coisa que ocorra no mundo nos abaleâ€, salienta Coube.
Viés de crescimento, melhor distribuição de renda, meta de crescimento, geração de emprego, entre outros itens, são citados pelo vice-presidente do Ciesp como instrumentos de uma orquestra afinada que será regida pelo novo presidente.
“Acredito que o dólar deva se estabilizar no patamar de R$ 3,50 e que não haverá grande pressão inflacionária. Com isso, abre-se espaço para queda de juros e para diversos outros fatores que serão muito benéficos para a indústria e para o País como um todo. No segundo semestre de 2003, já será possível colher resultados positivosâ€, finaliza Coube.
Bons resultados
O empresário João Maringoni repete a expectativa de otimismo para o próximo ano. Para os negócios de sua empresa, que trabalha com fabricação de produtos em madeira, ele espera aumentar os resultados em cerca de 10% sobre 2002.
“Eu acredito que, ainda no primeiro semestre de 2003, o novo presidente vai optar ou pela reforma tributária, ou pela previdenciária. É claro que, para o nosso setor, a tributária tem um peso maior. Mas mesmo que a outra seja feita antes, também se refletirá em resultados positivos para a indústriaâ€, diz o empresário.
Maringoni cita que um estudo do Ciesp, com base em dados do Ministério da Previdência e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a União e os Estados gastam mais com o pagamento de benefícios do INSS do que com educação e saúde junto.
“O País não pode andar para frente com uma situação assim. Por isso, a reforma previdenciária também é muito importante, na minha opiniãoâ€, diz Maringoni.
O diretor regional do Ciesp em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, diz que participou de uma reunião, anteontem, com o futuro ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e que ele teria afirmado que estará sempre aberto a escutar a categoria.
“Isso é o sinal de que teremos as portas abertas para discutir idéias e apontar caminhos, juntos. As palavras de quem vive o dia-a-dia da indústria brasileira são o melhor termômetro para medir o que está errado, quais os pontos positivos, o que precisa ser feito e por quais caminhos devemos seguirâ€, resume Simonelli.
Crescimento
Para ele, tudo indica que as ações do próximo governo possibilitarão um ano de 2003 bem melhor que este para o crescimento econômico do País. “Não podemos mais depender tanto das pressões externas, e tenho certeza que isso ocorrerá no novo governo. Estou muito otimistaâ€, observa.
Para o empresário Domingos Malandrino, em 2002 o País todo, incluindo o setor industrial, ficou em compasso de espera em função, principalmente, da eleição presidencial. Ele afirma estar muito confiante no novo governo.
“Além disso, ainda tínhamos os reflexos dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e crise econômica mundial. Para 2003, temos todos os ingredientes para crescer. O Lula está montando uma equipe ministerial fantástica e já deu várias provas de que está totalmente maduro e preparado para governar o País com ênfase ao crescimento econômicoâ€, avalia.