09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Dia Nacional da Consciência Negra


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Gostaria de manifestar-me a respeito da infeliz carta publicada nesta Coluna, no dia 28 p.p., assinada por IVAN GARCIA GOFFI, sob o título: Dia Nacional da Consciência Colorida. É importante as pessoas perceberem que aqueles que outrora beneficiaram-se (outros ainda hoje beneficiam-se) da exploração da mão-de-obra, da cultura e da religião dos negros e seus descendentes no Brasil - quando lêem, ouvem ou vêem qualquer manifestação dos afronegrobrasileiros - têm uma reação como essa desse sujeito de nome Ivan Garcia Goffi. Uma reação extremamente preconceituosa, discriminatória e racista, além de equivocada histórica/social/cultural e economicamente. Em outras palavras, são pessoas que não têm conhecimento de certos assuntos e que se metem a sabedoras, e aí dizem uma porção de bobagens como as desse sujeito. O dia 20 de novembro é o dia que comemoramos a imortalidade do herói nacional da liberdade negra, o nosso guerreiro ZUMBI DOS PALMARES; pois no dia 20 de novembro de 1695 ele foi morto pelas tropas do governo, depois de muita luta e resistência na defesa dos negros refugiados, dos brancos pobres explorados e dos indígenas também perseguidos pelos capitalistas que impuseram a escravidão no Brasil e em toda a América. Foi no Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, área que atualmente divide os estados de Alagoas e Pernambuco, que brotou a idéia da República, proclamada 200 anos depois nesse país, inclusive permitindo a esses lacaios neoliberais do capitalismo dizerem hoje o que querem. Se, pela liberdade dos negros, brancos e indígenas, homens e mulheres, crianças e velhos, Zumbi teve seu corpo esquartejado e sua cabeça exposta na entrada da cidade; não podemos de maneira alguma permitir que essa memória seja aviltada!!! Por isso, na Semana de 20 de Novembro, ao reverenciarmos a morte de Zumbi, exercemos nossa liberdade negra, e de forma nacional, lutamos para a implantação do Dia 20 de Novembro como Feriado Nacional da Consciência Negra no Brasil, reescrevendo e colocando a história oficial desses mais de 500 anos nos trilhos da liberdade e não mais da subserviência. Gostaria de poder abrir um debate, mais amplo, para informar com mais precisão àqueles que se valem de doutorice para assinar matérias em jornais, como o advogado Ivan Garcia Goffi. Dizer também que quem exerce uma profissão tão nobre não pode ser assim tão ignorante nem cometer tamanha injustiça contra um povo que tem direito à REPARAÇÕES por parte do Estado Brasileiro pelos danos físicos, psíquicos, culturais, sociais, políticos e econômicos a que sofreu durante quase cinco séculos, pelo tráfico transatlântico e a escravidão – um verdadeiro crime de lesa humanidade – crime esse, diga-se de passagem, não reconhecido pelos EUA, Canadá e União Européia, na III Conferência Mundial Contra o Racismo, em Durban, na África do Sul, em 2001 por razões óbvias, pois foram e continuam sendo os protagonistas do capitalismo e da exploração do povo negro dentro e fora da África. EM TEMPO: Levei o referido artigo para São Paulo e coloquei na pauta da reunião do dia 30/11 do Coletivo Estadual Anti-racismo “Milton Santos” da Apeoesp, do qual sou fundador e coordenador e encaminhamos com nota de repúdio para todo o estado através das nossas 93 subsedes e também formalizaremos cartas a este Jornal e à Ordem dos Advogados do Brasil em nome da Apeoesp, através do Coletivo Anti-racismo. (Professor Duílio Duka de Souza - coordenador do Coletivo Estadual Anti-Racismo “Milton Santos” da Apeoesp e membro do Coletivo Nacional Anti-Racismo “Dalvani Lellis” da CNTE)