09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Pesca oceânica: temporada surpreende

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

A Temporada de Pesca Oceânica do Yacht Club Ilhabela está no ápice. Iniciada em outubro e com término previsto para o dia 25 de janeiro, as pescarias no mar azul têm desafiado as embarcações. Houve etapa produtiva e outras nem tanto. O mar agitado chegou a impedir a pescaria na abertura do Torneio de Marlim Azul.

A temporada de pesca em Ilhabela é realizada pelo Yacht Club e é dividida em várias etapas e categorias. Há o Torneio de Abertura (a primeira saída das lanchas inscritas); o XIII Torneio de Marlim Azul (realizado em duas etapas em que as lanchas buscam o maior de todos os peixes de bico); o XVIII Torneio de Peixes de Bico e de Oceano (são três etapas e valem os peixes de bicos marcados e várias espécies de oceano, como atum e dourado) e o Torneio de Encerramento.

Cada saída elege os vencedores e ao final da temporada são premiados os mais pontuados na classificação geral. Cada torneio possui um regulamento específico, as lanchas devem se inscrever com antecedência e são permitidos no máximo quatro pescadores por embarcação. As demais pessoas não podem pescar, com risco de desclassificação da lancha.

A próxima etapa, a final do XVIII Torneio de Peixes de Bico e de Oceano está marcada para o dia 11 de janeiro. O Torneio de Encerramento será no dia 25 de janeiro.

Dia de peixe

Mesmo a 50 milhas da costa (aproximadamente 100 quilômetros), com equipamentos específicos, embarcações de porte médio (acima de 30 pés) e pescadores experientes, houve etapas em que o mar não estava para pescarias.

A primeira etapa do XIII Torneio de Marlim Azul foi bastante agitada. Programada para o sábado, foi transferida para o domingo devido aos fortes ventos, que deixaram o mar revolto. Algumas equipes desistiram e outras 14 partiram do píer do YCI pela manhã. Mas os ventos continuaram, formando ondas de mais de um metro. Nesse dia, cinco embarcações retornaram à terra antes do término da competição.

Mesmo assim, as lanchas avistaram marlins, peixes-voadores (sinal de vida no mar) e conseguiram fisgar, marcar e liberar três marlins azuis, o que deu a vitória à lancha Royal Fish, do comandante Alberto Foroni. Em segundo ficou a Ponto 50, de Nelson Fraile, e a Inaê, comandada por Bayard Umbuzeiro Filho.

As regras do torneio definem que todos os marlins azuis com menos de 200 quilos devem ser devolvidos ao mar. Para que o pescador esportivo saiba o peso do peixe fisgado, o professor Amorim providenciou uma tabela aproximada que relaciona o peso de acordo com o comprimento do exemplar. A medida é feita do bico inferior até a forquilha da cauda. Por exemplo, um exemplar de 2,70m deve pesar 200 quilos.

Porém nessa etapa, a lancha Gerreiro embarcou um marlim azul que pesou 140,9Kg. Isso desclassificou a equipe, que foi penalizada em 141 pontos negativos.

A segunda etapa do XIII Torneio de Marlim Azul foi improdutiva. As 18 lanchas participantes da etapa, que ocorreu no dia 23 de novembro, retornaram ao píer do Yacht Club Ilhabela sem marcar nenhum exemplar.

Apenas quatro lanchas conseguiram fisgar o peixe, mas eles acabaram escapando. Pelas regras do torneio, feito na modalidade Tag & Release (leia texto nesta página), o pescador deveria trazer o marlim azul até o barco para ser marcado. O que não chegou a acontecer.

Segundo o professor doutor Alberto Amorim, pesquisador e coordenador do Projeto Marlim do Instituto de Pesca de Santos, a ausência do marlim azul se deu em função das condições oceanográficas. “A salinidade e a temperatura (26 graus) estavam alteradas em relação às etapas anteriores”, comenta. As condições da água estavam ideais para outro tipo de pescaria, a de sailfish, o marlim azul deveria estar mais distante da costa.

Com isso, repetiu-se o resultado da etapa anterior. A lancha Camargue, de Alexandre Malafaia, marcou um exemplar de sailfish, mesmo não pontuando. “Quanto mais peixes marcados, maior a probabilidade de recaptura. Assim é possível saber quanto ele cresceu e se descolocou”, explica a assessoria de imprensa.

A pesca comercial de marlins azul e branco está proibida desde julho de 2001.

Para saber mais: www. yci.com.br

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Pescar, marcar e soltar

Atualmente, os torneios de peixe de bico em Ilhabela evita embarcar os exemplares capturados. Eles marcam os peixes capturados e os devolvem ao mar. É o sistema Tag & Release, que colabora com a pesquisa científica sobre as espécies. Este ano, a “The Billfish Foundation (TBF)” com sede em Miami, nos Estados Unidos, enviou um lote com mais de 100 unidades de Hydron para marcar os peixes de bico. Hydron é fabricado com um nylon usado em implantes cirúrgicos, o que evita reações no animal.

A marcação dos peixes de bico colabora com o Projeto Marlim, desenvolvido pelo Instituto de pesca de Santos, sob a coordenação do pesquisador Alberto Amorim, em parceira com a entidade de pesquisa norte-americana TBF. O Projeto Marlim inclui em sua pesquisa o marlim azul, marlim branco e o sailfish.

As marcas de nylon são numeradas, cada peixe recebe um número e suas condições são anotadas em uma ficha, que segue para um banco de dados. Quando um peixe marcado é recapturado, o pescador anota seu número e suas condições, assim, é possível fazer um levantamento da rota migratória e crescimento da espécie.

Em dezembro de 1996, no Rio de Janeiro, um sailfish marcado pelo pescador esportivo Carloman Maia, foi pescado por um atuneiro, em frente a Santos em fevereiro de 1997. Esse fato confirma a sua migração de desova para o Sul, até o Cabo de Santa Martha.