10 de julho de 2026
Política

Extraordinária só depois do Natal

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente da Câmara Municipal, vereador Walter Costa (PPS), informou ontem que convocará uma sessão extraordinária para quinta ou sexta-feira da semana que vem. A reunião vai permitir que o plenário da Casa escolha um novo membro para a Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras.

Um grupo de vereadores tentou articular a convocação da extraordinária para a próxima terça-feira, véspera de Natal, mas não conseguiu.

Além de Paquito, o grupo também vai sugerir que Renato Purini (PV) - eleito presidente da Câmara - se desligue da CEI das compras nessa sessão extraordinária, possibilitando a eleição imediata de seu substituto.

Paquito pediu desligamento da comissão na última terça-feira. Ele era relator da CEI. Já Purini obrigatoriamente vai ter que pedir afastamento da comissão de investigação porque foi eleito presidente da Câmara Municipal.

O Regimento Interno da Casa não permite que o presidente participe de comissões. A nova Mesa Diretora será empossada no dia 1 de janeiro. E o parlamentar verde não está disposto a abrir mão da vaga na CEI antes de sua posse como presidente.

Se confirmada a sessão extraordinária para a próxima quinta ou sexta-feira, Purini já avisou que não vai pedir o desligamento da comissão. Um grupo de vereadores entende que o novo presidente poderia aproveitar a reunião para afastar-se da CEI.

Mas o vereador do PV não quer sofrer desgastes ao antecipar sua saída da comissão de investigação. É que o ex-presidente do Conselho de Usuários do Transporte Coletivo Municipal, Pedro Valentim, protocolou, na CEI, pedido para o afastamento de Purini.

Valentim entende que o parlamentar não pode permanecer na comissão depois das denúncias de que uma assessora do seu gabinete foi contratada entre janeiro e maio do ano passado, mas quem exercia a função era seu pai.

Para Purini, não há necessidade de renunciar já a vaga da CEI. “Primeiro, porque ja expliquei o caso publicamente. Segundo, porque a CEI não vai parar após a eleição do substituto de Paquito”, argumenta.

Custo

Se Purini insistir na convocação de uma nova sessão extraordinária após o dia 1 de janeiro, com vistas a eleger seu substituto na CEI das compras, a Câmara terá mais um gasto que, na opinião de alguns vereadores, é possível ser evitado.

Segundo Toninho Garmes (PSDB), uma sessão extraordinária custa aos cofres do Poder Legislativo entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. O gasto é referente à remuneração dos servidores que vão trabalhar na reunião.

Os vereadores não recebem qualquer subsídio a mais por ter que participar de uma sessão extraordinária.

“Eu entendo que a sessão extraordinária deve ser marcada com urgência. A CEI não pode permanecer acéfala por falta de membros”, opina.

Na avaliação de Garmes, Purini poderia se afastar já na sessão extraordinária que possivelmente será convocada na semana que vem.

O posicionamento do parlamentar tucano é reforçado pelo vereador Milton Dota Jr. (PTB). “Eu entendo que nós não podemos ter solução de continuidade nos trabalhos dessa comissão. A população exige a finalização dos trabalhos ainda para este ano”, analisa. O petebista pede que a reunião extraordinária se realize no mais tardar na próxima semana.

Para o vereador José Humberto Santana (PV), “é um capricho” a decisão de Purini de não abrir mão de sua substituição na CEI numa possível extraordinária.

“Ele (Purini) poderia evitar toda essa mão-de-obra que vamos ter. Com certeza, poderia colaborar com a CEI. E também estaria colaborando com a sua própria imagem”, afirma.

A pressão sobre Purini continua com o vereador José Clemente Rezende (PSB). â€œÉ uma questão de bom senso. Uma única reunião poderá resolver de uma vez a situação. Se ele (Purini) acatar a nossa sugestão, com certeza será um ato de humildade da parte dele.”