09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A UNIÃO FAZ A FORÇA


| Tempo de leitura: 4 min

Sou morador de Bauru há poucos anos, mas sempre procuro estar por dentro da história da cidade. Sinto, em toda a cidade, a ânsia das pessoas por uma melhor qualidade de vida e por um crescimento ordenado da “Sem Limites”. Entretanto, o que posso ver, é um total descaso das autoridades com o povo. Acredito que, se não fosse a iniciativa privada, a cidade estaria à beira de um caos.

Bauru é uma cidade com um potencial adormecido. Temos muito a oferecer, mas ninguém oferece. A cidade de São José do Rio Preto, por exemplo, sempre aparece nos noticiários como excelência em qualidade de vida e como um atrativo para moradores de grandes metrópoles que querem “fugir” para o Interior. Bauru, nunca é citada. Todo mês de Dezembro, a revista “Exame”, da editora Abril, publica um ranking das melhores cidades para se investir, considerando aspectos políticos, financeiros, saúde, educação, população e outros itens que servem para determinar um “Índice de Qualidade de Vida”. Desde que o ranking começou, estes são as posições de Bauru: 38 (1999/2000), 48 (2001) e 49 (2002). Está evidente que a cidade está em uma curva descendente, e os políticos nada fizeram nestes 3 anos para reverter este quadro. São Carlos, cidade com aproximadamente 1/3 da nossa população, obteve os seguintes índices: 66 (1999/2000), 35 (2001) e 27 (2002); ou seja, um incrível crescimento na atração de novos investimentos. Li, nesta mesma tribuna, um texto do prefeito Nilson Costa explicando as iniciativas que a prefeitura está tomando. Foi um texto tocante, mas distante da realidade. Uma das poucas novidades nestes últimos tempos em relação às indústrias em Bauru foi a notícia da expansão da Adams, ocorrida neste ano. Fora isso, tudo veio da iniciativa privada no setor terciário, como a confirmação da instalação do Grupo Savoy e da reforma da estação da NOB. Enquanto isso, algumas principais avenidas continuam sem nenhuma camada asfáltica, bairros considerados nobres sofrem com terrenos baldios que a prefeitura nem toma conhecimento, as praças estão completamente abandonadas e nada tem sido feito para agradar a população.

A chegada da empresa Grande Bauru revolucionou o sistema de transporte público caótico, mas o mais importante, a remodelação das linhas para atender as novas necessidades somente será implantada no próximo ano, sendo que o estudo já está pronto desde 1996. Enquanto isso, a população sofre com o aumento das tarifas e da demora de até duas horas nos pontos de ônibus. E o povo mais uma vez é o afetado.

Temos na Câmara dos Vereadores alguns membros que se preocupam ativamente do meio ambiente. Entretanto, a cidade é um péssimo exemplo na conservação do mesmo. As praças públicas estão abandonadas, os chafarizes não funcionam, não existe iluminação adequada e o que é mais grave: Bauru está se tornando um “lixão”. Não temos instaladas, em nenhuma rua ou avenida da cidade, lixeiras, que é o princípio mais básico de qualquer lugar. A falta de verba não é uma resposta, pois normalmente as lixeiras funcionam em regime de comodato com empresas que exploram a propaganda no local. Até em São Paulo, uma cidade quase 50 vezes maior que Bauru, a prefeita Marta Suplicy conseguiu implantar lixeiras em todas as principais avenidas dos bairros. Até na grande artéria da cidade, a avenida Rodrigues Alves, o lixo é jogado no chão por não haver lixeiras. Não podemos nem citar a Avenida Getúlio Vargas, que após as noites de agitação dos jovens, se torna um tapete de garrafas de vidro e latas de cerveja. Uma vergonha!

A cidade, como uma das mais quentes do Interior, não possui avenidas e ruas arborizadas. Exceto a avenida Nações Unidas em alguns trechos, não existem árvores em Bauru. Por que não criar uma lei em que todo morador deve plantar uma árvore na frente de sua casa? Uma das cidades mais arborizadas no mundo, situada na Austrália, fez isso e aumentou demais a qualidade de vida dos moradores. O único parque público da cidade, o “Vitória Régia”, está abandonado. Fora o descaso com o patrimônio público, como as pessoas podem fazer caminhadas em um lugar completamente sem sombras? Utilizam o pequeno Bosque da Comunidade, que está superlotado. Graças a empresários conscientes da importância do meio ambiente, o “Vitória Régia” está sendo pintado e reformado para poder sediar shows, já que a prefeitura o deixou em estado precário. Aliás, já que a secretaria do Meio Ambiente não desengaveta o projeto do “Parque da Vargem Limpa”, por que não propor a esta grande rede uma parceria no desenvolvimento do projeto? Seria um grande presente para os Bauruenses.

Espero que o meu desabafo sirva, para aqueles que leram, como um aviso de como a nossa cidade está abandonada e de como precisamos de uma união de todos os poderes para reerguê-la. Finalizo parabenizando o grupo Pão de Açúcar pela iniciativa de investimento na economia e na cultura de nossa cidade. (Marcelo Ciamponi de Castro - estudante - RG 24.982.166-7)