Pederneiras - Quando o dia estiver amanhecendo hoje, o ciclista Rodrigo Dias de Moraes, 32 anos, estará saindo de Marília rumo a Sertanópolis-PR, numa viagem um tanto quanto audaciosa. Ele saiu ontem de Pederneiras e pretende pedalar 3.592 quilômetros, até Santiago do Chile. A expectativa é que ao fim de janeiro de 2003 ele tenha finalizado o projeto Brasil-Chile, passando por quatro países e mais de 29 cidades.
O projeto Brasil-Chile, explica Moraes, é uma associação do amor pelo ciclismo ao prazer pelo turismo. “O cicloturismo me permite fazer o que mais gosto: turismo viajando de bicicletaâ€. O projeto foi elaborado por Vitor Pelegrineli, integrante da JVR, que ficará em Pederneiras dando o suporte técnico e instruções por telefone a Moraes.
A partida do ciclista aconteceu ontem às 7h de Pederneiras onde ele mora. Pelos cálculos do atleta serão seis dias de pedaladas por rodovias paulistas e paranaenses, a maioria delas federais. Numa média de 140 quilômetros rodados por dia, Moraes passará por cidades como Maringá, Mamboré e Cascavel até a chegada a Foz do Iguaçu, a última hospedagem brasleira antes de entrar no Paraguai. “Ficarei um dia em Foz para fazer a manutenção dos equipamentos e recolher dados e imagens para divulgação do projetoâ€, disse.
De acordo com os cálculos do ciclista, o percurso em território brasileiro não proporcionará grande desgaste uma vez que o relevo é pouco acentuado. “Também estarão ao meu favor o clima quente de dezembro e as boas condições das rodovias, além da facilidade em obter informações, alimentação e hospedagemâ€.
Ao entrar em terras paraguaias Moraes acredita que estará iniciando uma das mais importantes etapas do projeto. “Estarei pedalando em solo internacional. Assunção, a capital, será minha última parada no Paraguai. Com pista plana e relativamente em boas condições, os 329 quilômetros de pedaladas naquele país não devem me trazer problemasâ€, acredita.
A Argentina fará parte da rota do projeto Brasil-Chile por um período de 18 dias. “Os primeiros 750 quilômetros serão rodados no Gran Chaco, uma imensa planície, onde cruzarei lavouras de cana-de-açucar e algodão, áreas pantanosas, sempre seguindo o curso do perene rio Paraná, pela RUTA011â€, explica.
O segundo trecho argentino da viagem, que completará os 221 quilômetros de pedaladas pelo país será na região dos Pampas. “A planície do Chaco fica para trás dando lugar a uma região exótica, dotada de vales e serras, como a situada ao redor da cidade de Córdobaâ€.
A previsão do ciclista é que ao sair do território argentino terão se passado 17 dias. “Terão sido 2.216 quilômetros onde terei passado por planícies, serras e cordilheiras, além de várias noites dentro de uma barraca dormindo em intervalos de duas horas, para maior segurança, uma vez que estarei em lugares inóspitosâ€, prevê.
O túnel internacional Cristo Redentor, situado na fronteira entre o Chile e a Argentina, será a porta de entrada à etapa chilena. “Chegarei a Portilho, uma estação de esqui conhecida no mundo inteiro, que acolhe turistas principalmente de junho a setembro, época em que a Cordilheira dos Andes é tomada pela neveâ€.
De acordo com os cálculos, depois de três dias de pedal em terras chilenas, Moraes estará chegando a Santiago do Chile. “Terei galgado um sonho, uma façanha que poucos têm o privilégio de realizarâ€.
Bagagem
Além do próprio ciclista que pesa 82 quilos, a bike que fará a viagem levará mais 40 quilos de acessórios. “Distribuída em mochilas a bagagem seguirá acoplada às rodas traseira e dianteira da bicicleta.
A bike é uma alumínio 21 marchas, com bagageiros, farol de halogêneo, lanternas traseiras, buzina, retrovisores e outros equipamentos essenciais de segurança.
Moraes conta que está no ciclismo há pelo dez anos e a viagem mais longa que fez até hoje foi uma para Florianópolis, em 1997, onde foram percorridos 1.100 quilômetros em sete dias.
Depois dessa viagem, conta ele, o objetivo é dar voltas ainda maiores. “Estarei fazendo o que gosto e acredito que o esporte, seja ele qual for, sempre é um bom exemplo a ser deixadoâ€, disse Moraes horas antes da partida.
Treino e alimentação
Para manter a boa forma, Moraes conta que treina semanalmente uma média de 400 quilômetros. “Objetivo é simular o desgaste que enfrentarei durante a viagem, bem como testar os equipamentosâ€.
A alimentação também é outro ponto importante, avalia. â€œÉ totalmente balanceada e regrada a bons suplementos alimentaresâ€. Além disso, o ciclista providenciou mapas de postos de serviço, cidades e vilas. “Enfim, tudo o que possa servir para que eu tenha total condições de adquirir alimentosâ€.
Para que a viagem se tornasse possível o ciclista correu atrás de patrocinadores e conseguiu apoio junto à Pefeitura Municipal de Pederneiras, De Bike, Mopel, Farmais, Mobilar, Júlio Biodrogas, Roberto Lopes, Posto Nossa Parada, Wilson Reina, Brasil Veículos e New Time.