09 de julho de 2026
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Belém: Casa do Pão


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Belém é uma pequena cidade situada a nove quilômetros ao sul de Jerusalém, no Estado de Israel. Existe desde o tempo do patriarca Jacó. Nas suas vizinhanças foi sepultada Raquel, esposa de Jacó. É chamada cidade de Davi, pois ali viveram seus antepassados.

Nestes últimos meses, Belém foi palco de dolorosos acontecimentos provocados pelas rivalidades hostis entre palestinos e israelenses, como foi mostrado pela mídia.

Há 2.000 anos, em Belém, vindo do coração da Trindade, nasceu Jesus descendente de Davi segundo a carne. Consta que a cidadezinha estava cheia de visitantes em razão de um recenseamento promovido pelo Império Romano. Não havia lugar adequado para Maria, que estava prestes a dar à luz ao seu filho. Seu esposo, José, adaptou como habitação de emergência, quem sabe, uma gruta ou um refúgio de ovelhas na vizinhança de Belém. Numa tosca manjedoura improvisada de berço foi colocada uma criança. Senhor do universo e da história, “por quem tudo foi feito. A humildes e marginalizados pastores que no silêncio da noite vigiavam suas ovelhas, foi dada pelos Anjos, em primeira mão, a boa notícia do nascimento do Salvador. Um canto de louvor angelical soou aos ouvidos dos extasiados pastores: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Ele ama”. Coube a esses pastores a honra da primeira visita ao Filho de Deus que se fez homem e habitou entre nós. Tudo foi tão simples, sem alarde, quase desapercebido. E Maria meditava todos esses acontecimentos em seu coração de mãe. (Cf. Le 2, 1-19). Estava surgindo uma nova era na história dos homens!

Tudo isso se deu em Belém. “E tu Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe que apascentará Israel, o meu povo”, anunciou o profeta Miquéias citado por São Mateus. (Mt. 2, 6).

Belém é uma palavra hebraica que significa “casa do pão”. E o Cristo de Belém dirá um dia: “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu... Este pão não é como aquele que vossos pais no deserto comeram e morreram; quem come deste pão viverá eternamente.” (Jo, 6, 51 e 58) “Eis o pão dos Anjos que se fez pão dos homens, que se fez alimento dos viajadores!”, exclamou o teólogo São Tomás de Aquino. Natal nos está conduzindo assim ao Ministério da Eucaristia. A Eucaristia que nos traz o Cristo vivo que por nasceu de Maria, por nós deu a vida e por nós ressuscitou. Natal, Páscoa e Eucaristia se encontram e se entrelaçam numa maravilhosa síntese cristológica...

A Festa do Natal tem sua origem litúrgica centrada e celebrada na Eucaristia, que é mesa do Pão no convívio da fraternidade, que é comunhão com Cristo e com os irmãos, que é doação e exigência de amor e de solidariedade, de justiça e de paz, de paz aos homens que Deus ama.

E paz - shalon - na boca dos anjos significa o conjunto daqueles bens materiais, morais e espirituais que podem trazer a felicidade, ainda que imperfeita, para a criatura humana. Não existirá paz se não houver pão com fartura. Natal não conjuga com fome. O Cristo do Natal, “Pão que desceu do Céu”, é aquele mesmo que afirmou: “Eu vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente”. (Jo 10, 10) Vida plena não pode coexistir com a fome.

Em sua sensibilidade social, em boa hora, a Igreja levantou o problema do escândalo da fome em nosso País, lançando a iniciativa chamada “Mutirão Nacional pela Superação da Miséria e da Fome”. Igualmente em boa hora está sendo implantado o projeto “Fome Zero”, do programa de governo do novo presidente eleito. E dignas de elogios são tantas outras iniciativas que surgiram ou estão surgindo na luta contra a fome.

Que bom seria se todas as casas, todas as Igrejas, todas as instituições ou entidades fossem se tornando uma pequena ou grande Belém - casa do pão. Aconteceria o milagre da partilha e da multiplicação do pão! O Natal seria diferente, seria todos os dias! Com essa utopia social certamente viria também a utopia religiosa que um colega sacerdote assim descreve e musicou: “Tudo seria bem melhor, se o Natal não fosse um dia e se as mães fossem Maria e se os pais fossem José e se os filhos parecessem com Jesus de Nazaré!” (O autor, frei Lourenço M. Papin, é colaborador do JC)