09 de julho de 2026
Geral

Igreja celebra Natal em favela de Bauru

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Eles deixaram de passar o dia de Natal com suas famílias para levar um pouco da tradição da data festiva a pessoas que pouco - ou nunca - celebram a ocasião. Membros da igreja Aliança Evangélica Missionária organizaram, na tarde de ontem, um almoço para moradores da favela bauruense Maria Célia.

No cardápio, além do arroz, macarrão, frango com batata, pão e suco, outra opção de acompanhamento era a ajuda ao próximo. Por isso, o grupo, liderado pelo pastor Carlos Roberto Santana, também obteve a colaboração de voluntários para promover ações como corte de cabelo, entrega de brinquedos e teatrinhos infantis.

Segundo Santana, o intuito de tal iniciativa foi levar um pouco de esperança até os lares carentes. “Várias pessoas, até mesmo as não evangélicas, se engajaram na idéia. Essa foi a forma que encontramos para as pessoas compreenderem como se dá o verdadeiro amor de Jesus, pois por mais simples que seja o presente, talvez ele traga um pouco de esperança a eles”, ressalta.

Por isso, enfatiza o pastor, não há recompensa maior do que ver a alegria estampada no rosto de uma criança e de pais de família ao receberem um prato de comida ou um brinquedo.

Só este fato, acrescenta Santana, já justificaria a opção de trocar os momentos com sua família para “fazer” o Natal dos cerca de 80 moradores. “Não tem o que pague ver que alguém lembrou delas. É uma coisa que não dá nem para falar. A gente sente”, relata ele, visivelmente emocionado.

Tais sentimentos também puderam ser vistos e sentidos pelos “donos” da festa: as famílias, e principalmente, as crianças. Em cada prato de comida ou presente distribuído, as reações eram sempre as mesmas: sorrisos, gritos de alegria e olhares piedosos, que pareciam demonstrar uma mistura de incredulidade e agradecimento ao que estava ocorrendo.

Tanto que a moradora Tereza Pedro dos Santos, casada e mãe de seis filhos, foi taxativa ao responder se havia gostado do que a igreja promovia. “Muito, pois sem a ajuda deles não seríamos ninguém”, considera. “Sem eles o Natal seria muito triste, porque não temos dinheiro para comprar presentes”, acrescenta Diva, mãe de cinco filhos.

Gratificante

Há seis anos na profissão, o cabeleireiro Marcos Alexandre, mais conhecido como Marquinhos, foi um dos voluntários a integrar a iniciativa da igreja evangélica.

Para ele, que já participou de ações semelhantes promovidas pelo Hospital de Reabilitação de Lesões Lábio Palatais (Centrinho), ajudar as pessoas é uma experiência única e indescritível. “Me sinto feliz em auxiliar aqueles que normalmente não teriam condições de cortar cabelo. Além de ser uma forma de entrar no espírito do Natal, ver a alegria no rosto das pessoas é o meu maior retorno”, destaca.

Prazer igual também demonstravam as voluntárias Maria José Portoni e Silvia Moura da Silva, que organizaram o teatrinho infantil e auxiliaram na distribuição de brinquedos e da comida. “A principal recompensa é poder compartilhar com eles a alegria que estavam sentindo. Diante disso, minha mãe até entendeu que eu iria trocá-la no Natal pelas famílias da favela”, explica Maria José.

“Uma iniciativa como essa não deveria ocorrer somente na época do Natal, e sim durante o resto do ano. É uma verdadeira obra de Deus, pois além de ser bom para os moradores, a gente também volta a ser criança”, enfatiza Silvia.