Tarefa fácil é sentir-se bem em Ilhabela. Quando entrar na balsa que leva até a ilha do Litoral Norte de São Paulo vá além do aviso de tirar o cinto de segurança e tire também os sapatos e as preocupações da cabeça. Abra a janela do carro e coloque os cinco sentidos para funcionar.
Respirar ar puro, observar belas paisagens, sentir a areia fofa nos pés e a água refrescante do mar e das cachoeiras já é um bom começo para aqueles que procuram uma fórmula antiestresse na maior ilha marítima do Brasil. Mas, se apenas os dons naturais do lugar não forem suficientes para ajudar nessa empreitada rumo ao relaxamento, deixe o desafio para o homem. Há dois hotéis na ilha que, além de oferecer comodidade, possuem espaços reservados para massagens e banhos relaxantes.
Há quase um ano, o charmoso Hotel Maison Joly acrescentou em sua lista de atrativos mais uma mordomia para hóspedes, principalmente executivos: criou o spa jet lag (expressão usada para designar os distúrbios fisiológicos provocados por viagens longas de avião).
Cardápio especial, com temperos mais suaves, elaborados com a ajuda de uma nutricionista, e sessões de massagens (há vários tipos) no Espaço Zen, também usado para meditação, são alguns dos segredos do hotel. Nos dez quartos - um diferente do outro -, banhos aromáticos são preparados nas jacuzzi que ficam nas varandas voltadas para o mar. Para quem quiser exercitar o lado artístico, cavaletes com telas à espera de pintores inspirados pela paisagem.
Reserve uma noite para relaxar no recém-aberto piano-bar que, além de uma vista maravilhosa de São Sebastião, é um ambiente com música tranqüila e sofás aconchegantes. Depois de alguns dias hospedado lá, não há ninguém que não saia calmo e feliz por ter sido mimado 24 horas por dia.
Música oriental
Com instalações mais simples, o Hotel Vilamar guarda um cantinho precioso para os turistas que querem se livrar do estresse. No Espaço Holístico Evoluz, um pequeno quarto separado do resto do hotel, é possível fazer banho de ofurô, massagens e reiki. E é aberto para quem não estiver hospedado.
Na hora de fazer agrados ao paladar, a escolha deve ser por restaurantes especializados em peixes e frutos do mar. Afinal, estamos em uma ilha. Em Ilhabela, além do que vem do mar, há fartura de bananas. Juntando os dois ingredientes, os caiçaras criaram o Azul Marinho, receita de pirão com temperos à base de ervas e banana. Cai muito bem com peixe. É esse um dos carros-chefes do Denio’s Restaurante, cujos pratos são criados por quem viveu a vida toda na ilha. “Meus pratos não são sofisticados, mas têm tempero muito gostosoâ€, diz Denio de Freitas Dias, dono e chefe.
Um peixe de outras bandas é a especialidade do simpático Restaurante Bacalhau. Dizem que lá é feito o melhor bolinho de bacalhau de Ilhabela. Prove ainda o suco de clorofila (com kiwi, abacaxi, maçã verde e hortelã). Os preços dos pratos estão um pouco acima da média (R$ 85,00 para duas pessoas), mas além de saborosos, são bem servidos. Após o almoço, uma sesta na rede do jardim ou um passeio pela praia em frente.
E se junto com o paladar você quiser aguçar todos os seus outros sentidos, experimente o Felippo. Misto de loja, café e restaurante, funciona seguindo à risca o ditado que diz: “mi casa es su casaâ€. Lá, os clientes podem comprar qualquer coisa que vêem, dos talheres aos móveis. Com vários ambientes, réplicas de quartos de crianças, de uma sala de estar, de um quarto de casal, as pessoas são convidadas a sentar onde desejarem. Assim como a decoração, o cardápio com toques mediterrâneos do chefe Waldo Araújo está sempre mudando. Eis então só mais uma desculpa para você se convencer de que não conseguirá ficar longe de Ilhabela por muito tempo.
Longe do agito
Antes de ser colonizada pelos portugueses, Ilhabela era habitada por índios tupinambás, que a chamavam de Ciribaí - em português “lugar tranqüiloâ€. Na alta temporada, porém, essa virtude perde parte de seu sentido original. Com 20 mil moradores, nos meses de verão, ela recebe cerca de 100 mil turistas à procura de lindas praias, passeios de barco, bons restaurantes e hotéis e agito à noite. Ilhabela tem tudo isso e muito mais. Só de litoral são 36 quilômetros divididos em 40 praias.
São Sebastião, a principal ilha do município de Ilhabela - formado por mais 11 ilhotas -, tem 346 quilômetros quadrados, dos quais 84% são pura Mata Atlântica, cheia de trilhas e cachoeiras, dignas de um pequeno (ou grande) esforço para visitá-las. Vale a pena conhecer esse lado menos explorado, o interior da ilha, principalmente se a intenção é encontrar sossego.
Bem perto da entrada do Parque Estadual, a Trilha da Água Branca leva a pequenas cachoeiras e poços para mergulho. Por ser de fácil acesso, ter boa sinalização e infra-estrutura - como bancos e mesas de madeira e corrimão em alguns trechos -, o lugar é bastante procurado. A dica é passar por lá, se refrescar um pouco e seguir viagem pela única estrada que liga as duas faces da ilha: a oeste, de frente para o continente, e a leste, virada para o mar aberto, onde ficam as praias mais desertas.
Os 22 quilômetros de caminho de terra só podem ser feitos por carros 4x4, motos, mountain bikes, a cavalo ou a pé, claro. Durante o trajeto, atenção máxima para a vista privilegiada. Desligue o motor, saia do carro e escute: tucanos, maritacas, macucos, gaviões, periquitos darão as boas-vindas.
Depois de uma hora e meia de jipe ou caminhando, a partir da vila, chega-se à Praia de Castelhanos. Muito conhecida, ela tem sempre visitantes descansando por lá, mas é possível encontrar seu lugar ao sol com tranqüilidade, pois são cerca de 1.800 metros de comprimento.
Prefere um canto para meditar? Caminhe mais cinco minutos por uma pequena trilha e chegará ao Mirante de Castelhanos. A pedra é alta e difícil de escalar, mas isso não é problema. Alguém fez questão de facilitar a vida de quem procura silêncio e um lindo visual para refletir e colocou uma escada. É só subir e relaxar!
Se quiser desbravar outras praias mais sossegadas, continue nesse lado da ilha. Para isso, é preciso fazer pequenas caminhadas, sempre acompanhado de guias. Para o mesmo lado do Mirante, encontra-se a pequena Praia do Gato. Isolada e com pouca areia, o ideal é tomar sol nas enormes pedras que se vê por lá. Só não esqueça o repelente, porque ali os borrachudos são os anfitriões.