08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Tirando o 'bicho' da toca

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Os peixes, assim como todos os seres vivos, têm um metabolismo próprio que varia de acordo com inúmeros fatores como hora, temperatura, estação climática, qualidade da água, etc. Para fazer com que o peixe passe a atacar a isca, o pescador deve mudar as suas táticas quando os cardumes estão inativos, pois do contrário estará destinado a passar o dia inteiro sem nenhuma ou raras ações.

Uma escola muito boa para a prática dessas táticas de pescaria, além do rio, são os pesque-pague. Embora pareça uma bobagem, pois entende-se que no pesqueiro os peixes atacam sem parar, as coisas nem sempre são assim, o que coloca em polvorosa os proprietários que não sabem o que falar ao freqüentador que foi ali para pegar os peixes e eles não apareceram.

Na primavera, já começa a existir a mudança do metabolismo do peixe, que sai definitivamente da hibernação passando a sentir com maior intensidade as mudanças do clima com ventos ora frios, ora amenos e, principalmente, em obediência a seu relógio biológico, aumentando efetivamente a sua atividade.

Assim como nós, o peixe precisa alimentar-se, mesmo que seja uma vez ao dia, e é nessa hora que a tática deve ser incrementada.

Tática no pesque-pague

Como os tanques dos pesqueiros são constantemente pescados e por conseqüência alvos de muito movimento, barulho, caminhadas rente ao barranco, é natural que o peixe, depois de um certo tempo vá ficando mais “esperto” e arredio, dificultando a captura.

Quanto a isso, existem duas soluções possíveis: ou troca-se os peixes de tanque para que sintam um ambiente novo e iniciem o trabalho de demarcação de terreno e, por conseqüência movimentem-se, ou procura-se o peixe no tanque original. Ele está ali, tem que comer e precisa ser achado.

Um fator importante já observado é que os peixes no pesque-pague localizam-se praticamente no centro do tanque. O movimento e o barulho (leia texto nesta página) fazem com que os cardumes se reúnam e fiquem no local mais distante possível das margens. Este local é a região central. Por causa disso, as capturas com varas de bambu ou telescópicas são difíceis, pois não atingem a distância necessária. Assim, só usando molinete ou carretilha, mas sem cometer exageros, pois muitos pescadores, na ânsia de pegar o peixe, chegam ao exagero de lançar a isca quase do lado oposto, enroscando a linha na de outros companheiros, inclusive.

Como o peixe está no centro do tanque, é até ali que a linha deve ir. Deve também ser praticado o mapeamento do centro, com arremessos na distância lateral também. O tempo de espera deve ser de até cinco minutos, no máximo, a cada arremesso. Transcorrido este tempo sem nenhuma ação, a procura deve repetir-se até que finalmente o cardume seja localizado.

O equipamento certo

Como trata-se da pesca de peixes arredios, não bastará apenas localizá-los corretamente. Será necessário uma reformulação no equipamento para a época de poucas ações. A primeira providência do pescador deverá ser a substituição da linha, para uma mais fina, de no máximo 0,30 mm. Este recurso vai camuflar o objeto na água fazendo com que o peixe não a veja e por conseqüência não desconfie. Outra mudança necessária é no tamanho do anzol. No verão, pegamos peixe até com anzóis número 3/0, número dois no máximo, sendo ideal o de número quatro.

O uso de encastoado deve ser evitado. Este recurso faz com que o peixe dificilmente ataque a isca, porque fica muito visível. Lembre-se também de que o encastoado deve ser utilizado somente para os peixes predadores com dentição cortante, como dourados, traíras, cachorras, etc. Os pacus, por exemplo, possuem uma dentição muito forte para a trituração. Os dentes não são de corte e para substituir o encastoamento basta usar um anzol de haste longa.

A isca certa

Depois de mudar a linha e o anzol, é hora de alterar também as iscas utilizadas. Enquanto nas épocas normais o peixe ataca qualquer coisa, quando o tempo está instável, a alimentação é bastante seletiva e o pescador tem uma tarefa importante: descobrir o que o peixe vai comer.

A isca básica é a ração de tratamento nos pesqueiros e massa e mortadela nos rios. No primeiro caso, como o peixe recebe este alimento em seu tratamento, nada mais certo do que começar com ela. Procure saber do proprietário o horário de alimentação dos peixes, aproveite e lance na água a sua ração. Se for possível, faça uma massa com ela, pois a ração em estado bruto é dura, demora a dissolver-se e pode influenciar no resultado.

Se o ataque não acontecer com esta isca, é hora de partir para outras opções. As iscas à base de carnes, como fígado, coração de galinha e minhocas são ideais. Se não houver ataque, outra opção são as iscas frutíferas. Jabuticaba, amora, coquinhos maduros, uva, acerola e goiaba são as mais recomendadas.

Utilizando todos esses recursos e não havendo a ação desejada, ainda resta a esperança de usar a mortadela e o queijo como últimas tentativas.

É bem provável que o pescador, seguindo essas orientações, não precisará chegar ao último recurso. Bem preparada a tralha e sendo realizado o paciente trabalho de localização, mesmo com as variações bruscas da temperatura, a pescaria estará garantida.

Incentive a pesca esportiva, pratique o pesque-e-solte e preserve a natureza, sempre.