Os peixes, assim como todos os seres vivos, têm um metabolismo próprio que varia de acordo com inúmeros fatores como hora, temperatura, estação climática, qualidade da água, etc. Para fazer com que o peixe passe a atacar a isca, o pescador deve mudar as suas táticas quando os cardumes estão inativos, pois do contrário estará destinado a passar o dia inteiro sem nenhuma ou raras ações.
Uma escola muito boa para a prática dessas táticas de pescaria, além do rio, são os pesque-pague. Embora pareça uma bobagem, pois entende-se que no pesqueiro os peixes atacam sem parar, as coisas nem sempre são assim, o que coloca em polvorosa os proprietários que não sabem o que falar ao freqüentador que foi ali para pegar os peixes e eles não apareceram.
Na primavera, já começa a existir a mudança do metabolismo do peixe, que sai definitivamente da hibernação passando a sentir com maior intensidade as mudanças do clima com ventos ora frios, ora amenos e, principalmente, em obediência a seu relógio biológico, aumentando efetivamente a sua atividade.
Assim como nós, o peixe precisa alimentar-se, mesmo que seja uma vez ao dia, e é nessa hora que a tática deve ser incrementada.
Tática no pesque-pague
Como os tanques dos pesqueiros são constantemente pescados e por conseqüência alvos de muito movimento, barulho, caminhadas rente ao barranco, é natural que o peixe, depois de um certo tempo vá ficando mais “esperto†e arredio, dificultando a captura.
Quanto a isso, existem duas soluções possíveis: ou troca-se os peixes de tanque para que sintam um ambiente novo e iniciem o trabalho de demarcação de terreno e, por conseqüência movimentem-se, ou procura-se o peixe no tanque original. Ele está ali, tem que comer e precisa ser achado.
Um fator importante já observado é que os peixes no pesque-pague localizam-se praticamente no centro do tanque. O movimento e o barulho (leia texto nesta página) fazem com que os cardumes se reúnam e fiquem no local mais distante possível das margens. Este local é a região central. Por causa disso, as capturas com varas de bambu ou telescópicas são difíceis, pois não atingem a distância necessária. Assim, só usando molinete ou carretilha, mas sem cometer exageros, pois muitos pescadores, na ânsia de pegar o peixe, chegam ao exagero de lançar a isca quase do lado oposto, enroscando a linha na de outros companheiros, inclusive.
Como o peixe está no centro do tanque, é até ali que a linha deve ir. Deve também ser praticado o mapeamento do centro, com arremessos na distância lateral também. O tempo de espera deve ser de até cinco minutos, no máximo, a cada arremesso. Transcorrido este tempo sem nenhuma ação, a procura deve repetir-se até que finalmente o cardume seja localizado.
O equipamento certo
Como trata-se da pesca de peixes arredios, não bastará apenas localizá-los corretamente. Será necessário uma reformulação no equipamento para a época de poucas ações. A primeira providência do pescador deverá ser a substituição da linha, para uma mais fina, de no máximo 0,30 mm. Este recurso vai camuflar o objeto na água fazendo com que o peixe não a veja e por conseqüência não desconfie. Outra mudança necessária é no tamanho do anzol. No verão, pegamos peixe até com anzóis número 3/0, número dois no máximo, sendo ideal o de número quatro.
O uso de encastoado deve ser evitado. Este recurso faz com que o peixe dificilmente ataque a isca, porque fica muito visível. Lembre-se também de que o encastoado deve ser utilizado somente para os peixes predadores com dentição cortante, como dourados, traíras, cachorras, etc. Os pacus, por exemplo, possuem uma dentição muito forte para a trituração. Os dentes não são de corte e para substituir o encastoamento basta usar um anzol de haste longa.
A isca certa
Depois de mudar a linha e o anzol, é hora de alterar também as iscas utilizadas. Enquanto nas épocas normais o peixe ataca qualquer coisa, quando o tempo está instável, a alimentação é bastante seletiva e o pescador tem uma tarefa importante: descobrir o que o peixe vai comer.
A isca básica é a ração de tratamento nos pesqueiros e massa e mortadela nos rios. No primeiro caso, como o peixe recebe este alimento em seu tratamento, nada mais certo do que começar com ela. Procure saber do proprietário o horário de alimentação dos peixes, aproveite e lance na água a sua ração. Se for possível, faça uma massa com ela, pois a ração em estado bruto é dura, demora a dissolver-se e pode influenciar no resultado.
Se o ataque não acontecer com esta isca, é hora de partir para outras opções. As iscas à base de carnes, como fígado, coração de galinha e minhocas são ideais. Se não houver ataque, outra opção são as iscas frutíferas. Jabuticaba, amora, coquinhos maduros, uva, acerola e goiaba são as mais recomendadas.
Utilizando todos esses recursos e não havendo a ação desejada, ainda resta a esperança de usar a mortadela e o queijo como últimas tentativas.
É bem provável que o pescador, seguindo essas orientações, não precisará chegar ao último recurso. Bem preparada a tralha e sendo realizado o paciente trabalho de localização, mesmo com as variações bruscas da temperatura, a pescaria estará garantida.
Incentive a pesca esportiva, pratique o pesque-e-solte e preserve a natureza, sempre.