08 de julho de 2026
Auto Mercado

Nervos à flor da pele

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Medo. Pânico. Insegurança. Tremedeira. Transpiração. Esses são apenas alguns dos sintomas ou reações desencadeados por um ato corriqueiro para muitos, mas que para outros significa o mesmo que superar um pesadelo ou problema monstruoso.

Dirigir nem sempre é tarefa fácil, principalmente para aqueles que sequer um dia sentaram à frente de um volante. Às vezes, é missão “hercúlea” até mesmo para motoristas experientes, que pressionados por algum tipo de incumbência ou exigência, cometem erros primários típicos dos iniciantes.

O fato é que o medo de guiar um veículo instala-se em um indivíduo, seja ele jovem, adulto ou idoso, homem ou mulher, devido principalmente a fatores psicológicos. É o que atesta a psicóloga bauruense Regina Maura Pereira Torres, que executa testes em candidatos para tirar a carteira de habilitação.

Segundo a especialista, é preciso diferenciar os tipos de medos existentes e suas várias causas. Um deles, e o mais comum, é aquele provocado na primeira experiência da pessoa com um automóvel, principalmente durante os testes em auto-escolas. â€œÉ um medo por si só e que é muito característico de cada pessoa”, enfatiza ela.

Diante disso, Regina destaca que nesses casos só a própria pessoa pode superá-lo. â€œÉ necessário conscientizar-se que enfrentaremos várias primeiras vezes em nossas vidas todos os dias. Por isso, é erguer a cabeça e seguir em frente”, aconselha a psicóloga.

Outro medo desenvolve-se em indivíduos, conforme Regina, que não possuem aptidão para a direção. A psicóloga ressalta que ninguém é obrigado a executar tarefas que não lhe dê prazer, como guiar um veículo. “As pessoas precisam saber seus limites e não se envergonhar por não dirigir. Muitas passam a vida inteira sem fazer isso, não sentem a menor falta e são felizes”, considera.

Tais medos, salienta Regina, estão ligados às características culturais da sociedade atual que exige a superação de provas e não tolera insucessos. “A todo momento somos cobrados a ultrapassar obstáculos e o fracasso é encarado de maneira muito rude. Além disso, há também as pessoas perfeccionistas que têm muita dificuldade em lidar com seus erros ou aquelas com históricos de vida que as levam a gerar esses receios”, diz ela.

Entretanto, o pior tipo de medo, conforme Regina, é aquele originado por traumas de acidentes automobilísticos. E para deixá-los para trás, só com auxílio de especialistas. “E muito trabalho”, acrescenta a psicóloga.

Testes

Um dos momentos em que o temor de conduzir um veículo se manifesta mais intensamente é durante os testes práticos, os conhecidos exames de rua e de circuitos fechados, efetuados pelas auto-escolas.

A reportagem do AutoMercado&Cia acompanhou um deles, realizado na manhã de sexta-feira, dia 20, no Centro de Treinamento de Condutores de Bauru. Antes das provas, que decidiram a aprovação ou não dos candidatos, o nervosismo era visível. Tanto que, previsivelmente, acabou se irradiando para a hora dos testes.

Uma das mais nervosas era a jovem Ivana Cara, 18 anos, que prestava pela primeira vez o teste para habilitação. Com as mãos tremendo devido à proximidade da hora de seu exame, ela contou que sua primeira aula foi terrível. “Se não bastasse o fato da estréia, chovia muito forte, com relâmpagos, e não conseguia enxergar nada. Fiquei supernervosa”, lembra ela.

Quase na mesma situação, mas um pouco mais calma, encontrava-se a jovem Helena Rufino, também estreante nos testes. Ela afirma que saiu-se “bem” em sua primeira aula na auto-escola, pois confiava no instrutor. “O bom de aprender nas auto-escolas é que elas ensinam a maneira correta de guiar, sem os vícios de quem aprende por conta própria”, frisa.

Seu único “medo”, acrescenta Helena, é ter de dirigir o carro sozinha depois que tirasse a carta. “Acho que será difícil, pois daí não terei mais o instrutor do lado. Mas tendo mais alguém comigo, estou sossegada”, considera ela.

Otimismo também era o que não faltava para o adolescente Roberto Tamamuti, 18 anos. Do alto da “experiência” de já ter sido reprovado uma vez no exame prático de direção, ele lembra da primeira aula, um “desastre”, conforme o jovem. “Afoguei o carro umas cinco vezes, pois estava tenso demais. Mas, agora estou confiante”, finaliza.