09 de julho de 2026
Política

Sinserm aciona MP contra prefeitura

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) protocolou anteontem no Ministério Público (MP) uma representação pedindo que a Prefeitura de Bauru contrate mais funcionários. O sindicato entende que a defasagem de pessoal estaria afetando a qualidade do atendimento público e ainda prejudicando a saúde dos funcionários, que ficam sobrecarregados de serviço.

De acordo com o advogado Sandro Luiz Fernandes, a representação foi dividida em duas. Uma para a Promotoria da Infância e Juventude e outra para a Promotoria da Cidadania.

A contratação de mais funcionários, segundo informou Fernandes, é uma antiga reivindicação do sindicato, mas que nunca foi atendida pela prefeitura.

Essa suposta falta de resposta do poder público teria sido o motivo principal que levou o Sinserm a denunciar o problema ao MP.

“A idéia é provocar a solução do problema. E o Ministério Público pode responsabilizar o município pela falta de estrutura dentro do funcionalismo”, disse.

Entre os exemplos da situação precária que estaria sendo vivida atualmente pelos servidores, o advogado citou casos que envolvem principalmente a área da Educação.

De acordo com Fernandes, a falta de professores fez com que o diretor de uma escola fosse para a sala de aula para não ter de dispensar os alunos.

Segundo ele, durante esse ano, houve um número alto de aulas suspensas porque as escolas não tinham professores substitutos. A representação junto à Promotoria da Infância e Juventude, segundo ele, foi feita justamente por envolver alunos do ensino fundamental.

Na área da Saúde, o Sinserm denuncia a falta de médicos, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais e até vigia. “Isso tanto no Pronto-Socorro Central, como nos regionais, e também nos núcleos de saúde”, declarou.

Essa deficiência, na avaliação do sindicato, resulta em filas enormes e agendamentos de consulta e de procedimentos médicos para mais de um mês.

Abordamos (na representação) também a questão do estresse e do cansaço que os funcionários da Saúde vêm enfrentando. Eles são constantemente cobrados pelo usuário do serviço, muitas vezes por algo que não são os responsáveis”, disse.

Uma das saídas, segundo Fernandes, é o MP estabelecer prazo para que a prefeitura faça a reposição de pessoal.

Segundo Fernandes, o sindicato não tem um levantamento de quantos funcionários seria preciso para normalizar o atendimento.

Ele disse apenas que o sindicato tentou levantar essa informação, mas não obteve sucesso.

Lei de Responsabilidade

Segundo o chefe de Gabinete do prefeito Nilson Costa (PPS), Antônio Sérgio Marsola, a falta de funcionários, principalmente nas áreas da Saúde e Educação, deve-se ao limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Segundo ele, se não há aumento de receita, o município fica proibido de aumentar a despesa.

Mesmo assim, ele disse que o prefeito tem consciência da defasagem de pessoal em alguns setores.

No caso específico da Educação, Marsola lembrou que o município ganhou cinco novas escolas só este ano, mas o quadro de funcionários permaneceu o mesmo.

Na área da Saúde, ele disse que houve a reposição de médicos e enfermeiros, mas o setor burocrático permaneceu com os mesmos funcionários.

Na opinião de Sandro Fernandes, advogado do Sinserm, a alegação de que a LRF não permite novas contratações “é uma falácia”.

“Os servidores municipais não podem ser prejudicados pelo fato do prefeito estar gastando mal”, acusou.

Mesmo admitindo a defasagem no quadro de funcionários, Marsola garante que a situação não é tão crítica como prega o sindicato.

“Mesmo faltando servidores em alguns setores, todos os serviços estão funcionando normalmente”, frisou.

Quanto à representação protocolada pelo Sinserm, Marsola disse que a prefeitura estará disposta a prestar todas as informações que forem necessárias.