O título acima, em parte, remete a uma antiga novela. Mas trata do folhetim da vida real. E diante dos nossos olhos - no noticiário sobre Bauru. Na cidade há dez anos, jamais testemunhei tantas ocorrências policiais como agora. Em tal ritmo, suspeito que o Jornal da Cidade terá de dedicar mais páginas ao noticiário policial em 2003. Claro que não é que almejo. Pelo contrário, aproveito a oportunidade para desejar - sem medo de soar piegas - um ano repleto de felicidades a todos nós e de muito sucesso para a polícia local. Entretanto, o balanço intuitivo de 2002 - nesse particular - não parece muito digno de brinde. Além da quantidade assustadora de crimes de médio ou pequeno poder de agressividade, chamam a atenção casos até então pouco comuns em Bauru. Recentemente, tivemos um seqüestro de filho de comerciante. Solucionado por completo. Antes, causou impacto o sumiço de um administrador de empresas. Solucionado em partes - porque houve prisão e confissão de homicídio, mas passados mais de quatro meses, o corpo ainda não foi encontrado. Agora, o sofrimento bate à minha porta e aperta o coração de tantos colegas com o desfecho sobre o cruel assassinato de um querido amigo alto-astral, jornalista Paulo Ferraz Júnior, encontrado apenas ontem, uma semana e um dia após seu desaparecimento. Como adotei Bauru para morar - e meu filho é “bauruense de batismo†-, só me resta torcer para que o crescimento da cidade não se torne tão desordenado a ponto de servir apenas para colaborar para a escalada da violência. Afinal, nem sempre o aparato policial cresce na mesma proporção. E polícia - todos sabem - não pode ser burocrata, despreparada, insensível à particularidade de cada caso, maldosa com relação às vítimas em função do comportamento social delas. E, muito menos, polícia não pode ser um empoeirado balcão de achados e perdidos em que uma família desesperada procura notícias sobre alguém e encontra frieza e indiferença. Claro que não funciona assim. E como Bauru ostenta o triunfo de “ainda†não ser tão violenta quanto os grandes centros, espero que nossas autoridades continuem desempenhando um trabalho empreendedor no combate à criminalidade e que nossos representantes na política percebam que se houver crescimento desordenado, de fato, nossa tranqüilidade estará ainda mais ameaçada. Que o espírito de Natal, ainda que tardio, traga paz aos nossos espíritos aflitos. Porque ninguém - nenhum aparato policial - poderá investigar o tamanho da saudade que uma perda precoce, como a do Paulinho, é capaz de provocar. Enfim, que, em 2003, a novela da vida real tenha não um, mas vários finais felizes. Caso contrário, estaremos todos dentro de um filme triste e sombrio. Sem direito a recusar tal papel. (João Pedro Feza - jornalista - RG 19.623.592).