Igaraçu do Tietê - Apesar de ter uma das melhores redes de saneamento básico do Estado de São Paulo, segundo o Censo 2000, Igaraçu do Tietê ainda deixa muito a desejar quando o assunto é esgoto.
Não há na cidade uma estação de tratamento, e todo dejeto produzido diariamente é despejado sem nenhum tipo de tratamento (in natura) nas águas do rio Tietê.
Nem mesmo o fato de ser o principal ponto turístico da cidade, livra o “velho†Tietê do desprezo do poder público.
O esgoto é lançado em quatro pontos diferentes do rio, onde vai se somar com a sujeira que vem rio abaixo, desde São Paulo - seu maior poluidor.
De acordo com o diretor José Maria Capelasso, do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Igaraçu do Tietê (Saeit), o prefeito Carlos Alberto Varasquim (PSDB) já teria encaminhado ao governo do Estado o projeto de construção da estação de tratamento.
Segundo ele, sem a ajuda do Fundo de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (Fehidro), órgão ligado ao governo, a cidade não teria condições financeiras para executar a obra.
Pelo projeto, a estação de tratamento seria construída próximo a estrada vicinal que liga Igaraçu a Macatuba.
A partir da liberação do dinheiro pelo Fehidro, Capelasso acredita que a obra levaria aproximadamente três anos para ficar pronta. Até lá, a cidade continuará contribuindo com sua cota diária para a poluição ambiental, a exemplo de muitas outras cidades da região, que não tratam o esgoto que produz.
Segundo o diretor, a prefeitura estaria sendo pressionada pelo Ministério Público para a executar a obra o mais rápido possível.
Apesar da atitude condenável (de lançar o esgoto “in natura†no rio Tietê), principalmente por se tratar de uma estância turística, a cidade nunca foi multada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), segundo informou Capelasso.
De acordo com ele, de tempo em tempo o órgão faz coleta da água para medir o nível de oxigênio e de acidez da água.
Na opinião do diretor, o problema da poluição poderia ser ainda pior. Para ele, o fato da cidade não possuir indústrias com capacidade para poluir ainda mais o meio ambiente configura “uma grande vantagemâ€.
“Infelizmente, junto com o esgoto descem coisas que não deveriam estar lá, como roupas e absorventesâ€, disse.
Coleta de lixo
Se o tratamento do esgoto não funciona em Igaraçu, o mesmo não pode ser dito da coleta do lixo urbano.
Mesmo sendo uma cidade pequena e que, em tese, produz pouco lixo, a coleta é feita duas vezes por dia.
De acordo com o Censo de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Igaraçu do Tietê tem aproximadamente 23 mil habitantes.
No Centro da cidade, onde estão concentradas as lojas e supermercados, o lixo é recolhido três vezes ao dia, segundo informou Capelasso.
A coleta inclui também os entulhos de construção, que ficam armazenados nas caçambas.
“Nós procuramos trabalhar da melhor maneira possível, para que a população saiba que nossa prestação de serviço é diferenciada, para melhorâ€, enfatizou Capelasso.
“Não é fácil administrar isso tudo. Por mais que se faça, os objetivos nunca são alcançados. Isso é desgastante, gera inimizade, mas se eu não fizer outra pessoa tem de fazerâ€, declarou.