08 de julho de 2026
Geral

Setor comemora exportações, mas vive crise internamente

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 2 min

Em 2002 o Brasil bateu o recorde de exportações de carne suína. Subiu da 10.ª para a 4.ª colocação e as perspectivas para 2003 são animadoras. O governo e o setor privado exportador também esperam inserir o produto brasileiro na União Européia até o final de 2003 e ampliar as relações com a América Latina.

Entretanto, ao mesmo tempo em que se comemorava a conquista de mais uma fatia do mercado internacional de carne suína, o fantasma da crise se apoderou do setor, que viveu internamente um dos piores períodos de todos os tempos.

O fenômeno se deve em grande parte aos insumos extremamente caros em função de uma cotação de dólar instável e elevada. Outro fator que agravou a crise foi a superprodução com uma oferta muita alta de suíno não acompanhada pelo consumo interno.

Na suinocultura, 80% dos investimentos são empregados na alimentação do plantel e o setor teve que enfrentar a alta dolarizada nos preços do milho e do farelo de soja, principais ingredientes da ração, com os preços mais altos da história, explica o suinocultor Paulo Pereira Rangel Filho.

Além destes fatores, Rangel aponta a falta de divulgação por parte dos produtores e a falta de conhecimento do produto, que está sendo ofertado em qualidade e com preços atraentes, por parte da população como elementos que agravam a situação nada otimista.

Segundo ele, os altos custos na divulgação impedem que ações sejam feitas no sentido de estimular vendas e consumo. Os grandes grupos poderiam fazê-lo, mas mercadologicamente não seria um bom negócio.

“O mercado das grandes integrações é um mercado de valores agregados, de produtos embutidos e o próprio mercado da exportação e não o mercado interno da carne in natura. Por isso, eles não se interessam em divulgar a carne suína no Brasil.”

Rangel revela ainda que os problemas no setor não se concentram só no mercado. A falta de estímulo fez com que o setor, só segundo semestre de 2002, demitisse 11 mil trabalhadores.

“Esse é um problema social que precisa ser revisto. Quando se apontam esses números, eles contabilizam cortes do pequeno ao grande produtor. O problema é sério e quem está assumindo vai precisar rever este quadro, pois a suinocultura é uma grande fonte geradora de mão-de-obra.”