O Noroeste chega ao fim de 2002 entre a decepção e a esperança. Os dois sentimentos são justificados. O primeiro por uma temporada de fracassos e o segundo pelo momento atual, com uma nova diretoria trabalhando para tentar reerguer o clube.
Dentro e fora de campo, o ano que se encerra foi um dos piores na história do clube. No início, até que 2002 prometia. Sob o comando do advogado Valdomir Mandaliti, o Noroeste começou a temporada com um time “para subirâ€, como a diretoria e o treinador Varlei de Carvalho faziam questão de frisar.
No entanto, a estratégia dos diretores mostrou-se equivocada. Com uma folha de pagamentos aquém das possibilidades do clube e da realidade da terceira divisão estadual, logo os salários começaram a atrasar. O elenco, que poderia ser definido como “de aluguelâ€, não rendeu o esperado. Varlei de Carvalho foi demitido e readmitido a seguir, uma verdadeira bagunça.
Como resultado, o Noroeste terminou o campeonato em oitavo lugar e recheado de dívidas. Nas últimas rodadas houve até ameaça de WO por parte do time bauruense, já que os jogadores, com meses de salários atrasados, se recusavam a entrar em campo.
Após o término do Paulistão da A3, a maioria dos jogadores contratados pelo clube entrou na Justiça do Trabalho. Mas o pior ainda estava por vir. Pressionados, Mandaliti e os demais diretores pediram demissão e o clube ficou a deriva, sem comando.
Em julho, numa eleição conturbada, a diretoria demissionária, que mantinha o controle do Conselho Deliberativo do clube, responsável pela indicação dos diretores, conseguiu colocar no comando Sidney Florenzano, que apesar das boas intenções mostrou-se totalmente incapaz de administrar os graves problemas do Norusca.
Em consequência, o Alvirrubro iniciou a disputa da Copa Interior, no segundo semestre, com uma equipe formada por juniores e jogadores recrutados no futebol amador de Bauru. A equipe fracassou. A ridícula campanha na Copa Interior, somado aos problemas financeiros do clube que se agravavam, foi o último suspiro do grupo que até então comandava o Noroeste.
A pressão vinha de todos os lados: torcida, imprensa e, principalmente, de um grupo de empresários interessados em assumir o clube, mas que exigia a saída de todo o antigo conselho. O Noroeste começava a sair de uma de suas piores crises.
No começo de outubro, uma nova diretoria assumia o clube. Os empresários Damião Garcia (presidente), Toninho Gimenez (vice de Futebol ) e Érico Braga (diretor de Finanças) tomaram a frente e nomearam o radialista Celso Zinsly como gerente de Futebol.
A nova diretoria providenciou ainda o pagamento das dívidas mais urgentes e conseguiu reforços para continuar a disputa da Copa Interior. Para isso, Damião Garcia, que tem bom relacionamento com a diretoria do Corinthians, fez um acordo com o clube da Capital que cedeu o goleiro Yamada e mais quatro juniores. Mesmo assim, o Noroeste ainda terminou a Copa Interior com a quarta pior campanha entre os 16 participantes.
Desde que assumiram, os novos diretores, com recursos próprios, injetaram cerca de R$ 200 mil para saldar dívidas e colocar salários de atletas e funcionários do clube em dia, segundo informações do vice de Futebol Toninho Gimenez.
Segundo o dirigente, 2002 foi um ano “trágico†para o Noroeste. “As pessoas que pegaram o Noroeste, não intencionalmente, talvez sem algum conhecimento sobre como é o Noroeste, como é o futebol, acabaram deixando o clube num estado precário. Eu afirmo com segurança que se não fosse Damião Garcia e Érico Braga, o Noroeste teria acabadoâ€, deduz.
Esperança
As perspectivas do Noroeste para 2003 podem ser consideradas realistas. A diretoria que assumiu em outubro tem demonstrado competência, não só por estar equilibrando as finanças do clube, como pela mentalidade profissional que implantou desde que assumiu.Os problemas ainda existem, mas o clube pelo menos passou a ter uma perspectiva positiva, ao contrário do que acontecia com a diretoria anterior.
O gerente de futebol Celso Zinsly dá algumas dicas de como podem ser evitados os erros anteriores. “Primeiro: não fazer mais ‘time de aluguel’. Esta é a primeira providência que estamos tomando. Segundo: jogador para vir para cá, será contratado com muito critério e dentro da política financeira do clubeâ€, receita.
Para justificar ele revela que jogadores que já atuaram pelo clube anteriormente, podem retornar ganhando um terço do que recebiam em outra oportunidade. A intenção é gastar com qualidade, dentro do popular “bom e baratoâ€, política mais adequada à Série A3. Para Zinsly faltou à diretoria anterior segurança no planejamento. “Foi muita promessa e pouco resultadoâ€, resume.
O Noroeste deve apresentar no próximo dia 3 de janeiro pelo menos seis novos jogadores.“São atletas experientes, mas não caros, e muito bem escolhidos. Eles se somarão a pratas da casa, que já jogaram no profissional, e outras revelações dos juniores, que estarão na Copa São Pauloâ€, revela Celso Zinsly.
Outra fonte de reforços para 2003, pode ser uma parceria com o Corinthians. Ontem, o presidente Damião Garcia reuniu-se com Roque Citadini e Edvar Simões, vice e gerente de Futebol do Alvinegro, para tratar detalhes da parceria. No entanto, Zinsly não pôde adiantar nada sobre o assunto.
O que é certo é que o Noroeste disputará a Copa São Paulo de Juniores com nove jogadores cedidos pelo Timão e alguns deles podem reforçar a equipe na Série A3. O zagueiro Alex Alves é bastante cotado.
No entanto, Zinsly faz um alerta. “Minha maior preocupação é que a cidade e os torcedores pensem que está tudo resolvido. Não está. O Noroeste ainda necessita da ajuda dos empresários, dos torcedores, enfim, dos bauruenses. Nós estamos lutando com dificuldades aquiâ€, declara.
O vice de Futebol Toninho Gimenez ressalta que hoje o Noroeste tem as finanças em dia. “Vamos virar o ano sem dever, inclusive com 13º pago. Além disso recuperamos o gramado do Alfredo de Castilho e estamos fazendo reparos no estádio e nos vestiáriosâ€, acrescenta.
Gimenez mostra-se otimista para a próxima temporada e justifica. “Temos contratos de patrocínio fechado com a Flag e mais parcerias com a Report, a Tec Seg, o Depósito Floresta e outras empresas, que também farão parte desse conjunto que comporá nossas receitas para 2003â€, revela o dirigente.