Até 2004, o bauruense estará livre de mais um imposto, mas, por outro lado, algumas regiões da cidade continuarão às escuras. Isso porque a votação do projeto de criação da Contribuição para Custeio de Serviço de Iluminação Pública (CIP) foi adiado para o ano que vem na Sessão Extraordinária da Câmara Municipal realizada ontem.
O “responsável†pela obstrução na votação do projeto foi o vereador José Humberto Santana (PV). Como relator da Comissão de Obras, o parlamentar pediu seis dias para “esclarecer dúvidas†a respeito da cobrança do imposto.
Esse período, no entanto, só poderá ser contado a partir de fevereiro, quando se encerra o recesso do Legislativo. Com isso, se a CIP for aprovada na Câmara no decorrer do ano que vem, ela só poderá ser aplicada no exercício de 2004.
Para o vereador Santana, suas dúvidas são referentes à regulamentação da taxa. “Como relator, a minha posição é esclarecer alguns detalhes em relação ao projeto encaminhado pelo Executivo. Então, eu não posso dar parecer, como relator, estando em dúvidaâ€, diz.
Segundo o parlamentar, não houve tempo suficiente para que o projeto fosse explicado devidamente aos vereadores. “São várias dúvidas quanto ao aspecto de regulamentação, da distribuição de percentuais e, dentro dessa distribuição, é que se precisa ter uma visualização de valores. O projeto não fala em valoresâ€, afirma Santana. E completa: “Emitir parecer em cima de valores que a gente não sabe, na minha visão, é no mínimo imprudência.â€
O presidente da Comissão de Obras, vereador Luiz Carlos Valle (PSB), declara que Santana não havia apresentado anteriormente aos membros da comissão sua posição quanto ao projeto. “Não tenho nem o que falar, porque esse é o regimentoâ€, diz Valle.
Tentativas
Antes mesmo de Santana “entrar em açãoâ€, o vereador Antônio Carlos Garmes (PSDB) já havia tentado deixar a votação para o ano que vem. Membro da Comissão de Justiça, Legislação e Redação, o tucano queria tempo para analisar o projeto - o que fatalmente adiaria a votação. O presidente da comissão, Antonio Faria Neto (PDT) negou os reiterados pedidos.
“Nós entendemos absurda a criação de tantos tributos, mesmo porque é inconcebível que, para cada necessidade pública, o chefe do Executivo crie uma nova contribuiçãoâ€, alegou Garmes, que considera a CIP uma cobrança “escorchanteâ€.
O próprio Faria Neto declarou que poderia, se quisesse, “amarrar†o projeto, mas acreditava que os vereadores é que deveriam decidir. “Nós entendemos que seria antidemocrático fazer isso agoraâ€, disse o pedetista, que afirmou ser contrário à lei.
O vereador Edmundo Albuquerque (PPS), um dos únicos a se manifestarem favoravelmente à criação do imposto, sustentou que o problema da falta de recursos para custear a iluminação pública independe de lei do prefeito Nilson Costa (PPS), já que Bauru teria “arrecadação pobreâ€. “Seja quem for o prefeito, com a arrecadação que nós temos, não vai nunca atender às necessidades de nosso povoâ€, disse.
A lei
A possibilidade de instituir a Contribuição sobre o Custeio de Iluminação Pública (CIP) nos municípios só é possível graças a uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada no Congresso Nacional. Em Bauru, até 1984 se cobrava a taxa junto com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), quando foi implantada a Taxa sobre Iluminação Pública (TIP), que em 1999 deixou de vigorar por “inconstitucionalidadeâ€.
De acordo com informações da prefeitura, dos mais de 104 mil consumidores residenciais de Bauru, em torno de 45% pagaria de R$ 1,00 a R$ 2,00 de CIP, que seria cobrada juntamente com a conta de energia elétrica, e equivaleria a 5% do total de energia consumida.
A CIP seria responsável pelo pagamento de 75% da iluminação pública de Bauru, que, no total, soma R$ 316 mil mensais. De acordo com a prefeitura, ainda faltam 1,3 mil pontos de luz na cidade, além de 125 residências sem energia elétrica.