08 de julho de 2026
Regional

Concurso atrai só um e causa polêmica

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Areiópolis - A contratação de uma escriturária para os quadros da Câmara Municipal de Areiópolis está sendo motivo de questionamentos na cidade. É que houve uma única inscrição e justamente a de uma funcionária que já trabalhava na Casa em caráter temporário.

Apesar do trâmite burocrático que antecedeu o concurso estar sendo considerado legal, moradores reclamam que a divulgação foi pequena. Na última semana, várias pessoas procuraram o Jornal da Cidade para registrar o protesto.

O presidente da Câmara, Alírio dos Santos (PMDB), garante que todo processo que antecedeu ao concurso fora feito dentro do que estabelece a lei. No entanto, ele diz que também se surpreendeu quando soube que apenas a atual escriturária da Casa, Graziela Farias, havia se inscrito. “Mas agora não tem volta, o concurso já está homologado”.

Na opinião do vereador Alírio, apesar da publicação ter sido feita como pedia a lei, no caso num jornal que circula semanalmente na cidade, a divulgação talvez tenha deixado a desejar. “Depois, eu achei que poderia ter sido divulgado também pela rádio”, disse.

Outra colocação do presidente da Câmara é sobre o que ele chama de falta de interesse dos moradores. “Eles têm que se interessar mais e procurar pelas coisas da cidade”.

Alírio afirmou que achou esquisito a inscrição solitária de Graziela e chegou a comentar com seu contador, mas foi tranqüilizado de que tudo estava correto. “Se eu soubesse que daria essa revolta toda eu teria feito diferente. Teria inclusive colocado um carro de som na rua avisando das inscrições”.

O concurso em questão foi realizado em outubro último e a homologação ocorreu na semana passada. A funcionária da Câmara que foi a única a se inscrever já trabalhava contratada temporariamente desde o início do ano, quando a outra escriturária deixou a função. Até a realização de novo concurso, Graziela foi então contratada por seis meses.

Os vereadores Adriano Romualdo de Oliveira (PSDB) e Elivelton Aparecido de Almeida (PSDB) foram os únicos a votarem contra no dia da homologação do concurso. Eles disseram entender que se não há ilegalidade, o caso passa a impressão de imoralidade já que apenas a atual funcionária concorreu à única vaga.

Numa época em que o desemprego assola o País, as oportunidades poderiam se melhor aproveitadas e distribuídas, diz o vereador Elivelton.

Já o vereador José Rodrigues de Lima filho (PDT), o Pebinha, disse que prefere não emitir muitas opiniões sobre a questão já que o novo ano está aí e um novo presidente deve assumir a Câmara. “Não que eu tenha algo contra o atual”, ressalva.

Na opinião de Pebinha, o salário de R$ 248,00 para o cargo em questão não teria despertado a atenção dos vários desempregados de Areiópolis. “Além do que, têm tantas outras coisas mais importantes do que isso para serem resolvidas”, disse sem no entanto citar quais seriam essas coisas importantes.

O presidente da Câmara disse que é um novato na política e se sente de certa forma prejudicado com essa situação. Na opinião dele, colegas mais experientes poderiam tê-lo alertado de que o concurso merecia uma divulgação maior, além daquela publicação oficial no semanário, afinal, os desempregado que correm atrás de uma vaga são muitos.

Para os vereadores Adriano e Elivelton, situações como essa são lamentáveis uma vez que dão motivos para que os moradores passem a questionar o papel de seus representantes nas questões públicas do município.

A escriturária Graziela foi procurada pela reportagem ontem mas não foi localizada para falar sobre o assunto. Apesar das várias reclamações, até ontem ninguém havia recorrido à Justiça para questionar o concurso.