Parte do funcionalismo público municipal foi surpreendido ontem com a ausência do depósito em conta corrente do salário referente ao mês de dezembro. Só os servidores cujos salários não ultrapassam os R$ 1.000,00 foram contemplados com os depósitos.
A informação é da direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm). Segundo a coordenadora da entidade sindical, Idelma Corral, cerca de 2,5 mil funcionários da prefeitura - de um total de 6 mil - ficaram sem os salários de dezembro nas contas.
A dirigente sindical não conseguiu localizar o secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, para saber dele o que está acontecendo.
“Tentamos falar com ele (Raul), mas a resposta era de que o secretário não estava. Depois, nos informaram que a situação estaria regularizada após as 18h de hoje (ontem), o que não aconteceuâ€, relata, com um extrato em mãos.
Idelma explica que os servidores mais afetados com a decisão da administração de só depositar os salários de até R$ 1.000,00 são os lotados nos setores de educação e saúde.
Ela acredita que o prefeito Nilson Costa (PPS) escolheu a “época certa†para dar o “calote†na categoria. “Estamos com uma boa parte dos servidores em férias, o que nos impossibilita de articular uma mobilização. Foi um duro golpe, porque a categoria contava com esse dinheiro em conta correnteâ€, explica.
A coordenadora do Sinserm avalia que a situação mostra a “verdadeira face†do prefeito. “Ele (Nilson) vive falando na imprensa que saneou as finanças da prefeitura, que estava com o caixa equilibradoâ€, critica.
O advogado da entidade sindical, Sandro Fernandes, lembra que ainda está em vigor a ação cautelar protocolada pelo sindicato que garante à categoria receber os salários em dia.
“Estamos diante de uma situação de desobediência à ordem judicial. Vamos aguardar até amanhã (hoje) o restante dos depósitos dos salários dos servidores. Caso isso não ocorra, vamos comunicar o fato nos próprios autosâ€, avisa.
Terça-feira
O prefeito Nilson Costa confirmou, no início da noite de ontem, que a administração não conseguiu depositar os valores de todos os salários em conta corrente. Mas os números do prefeito conflitam com os divulgados pelos dirigentes do Sinserm.
“Restam apenas cerca de 400 servidores para receber seus salários, inclusive o do prefeito, que ganham acima de R$ 1,6 mil, R$ 1,7 mil. Já fizemos o pagamento a cerca de 6 mil funcionários, inclusive dos aposentados e pensionistasâ€, garante.
Nilson diz que o problema de caixa foi gerado a partir do pagamento dos precatórios, feito no início da semana. Segundo ele, a administração teve que dispender R$ 2,1 milhões para não perder a vantagem da lei que dividiu, em dez anos, o pagamento dos precatórios.
“Acredito que vamos conseguir fazer o restante dos depósitos dos salários que ainda faltam na próxima terça-feira com a chegada de repassesâ€, prevê.
O prefeito, no entanto, não considera a situação como “atrasoâ€. “Veja, na iniciativa privada todos recebem seus salários no quinto dia útil do mês. Os Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, dentre outros, também estão com dificuldade para efetuar o pagamento dos saláriosâ€, compara.
A prefeitura gasta com a folha de pagamento cerca de R$ 5 milhões por mês.