08 de julho de 2026
Articulistas

Mudanças difíceis


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Bem correta é como se considera a titulação que o JC conferiu ao discurso de posse do novo presidente da República: “Brasileiro acredita em Lula, mas está preocupado com os desafios”, que abarcam uma alta dose de questões urgentíssimas, de atendimento coletivo, entre as quais fazer esquemas administrativos e reformas, inclusive na educação e, ao mesmo tempo, pôr fim ao desemprego e à fome que castigam o País. São desafios, desafios mesmo, profundamente arriscados para o mandatário, que assume um cargo como esse carregando no corpo pernambucano uma vestimenta pesadíssima, seja para o calor do verão, seja para o frio do inverno e, portanto, problemático também quanto ao seu uso sob as flores da primavera e os frutos do outono administrativo. Conseqüentemente, entendem os observadores, tem pela frente o novo chefão um caminho tortuoso para cujo transcurso terá de contar não só com a presumível competência de seu ministério como com o espírito de cidadania dos componentes do Congresso. “Do que Lula falou tudo é viável em início de governo, dependendo da gente, do povo brasileiro” - adverte sabiamente um dos ouvintes do discurso de 42 minutos que o principal mandatário colocou avidamente nos ouvidos nacionais na presunção de despertar a colaboração dos bem remunerados congressistas e, na mesma proporção, das massas que circulam nas ruas de todos nós. Certamente, carrega Lula no peito varonil tal convicção, pois não foge de suas principais fibras a certeza de que tem diante de si um acervo volumoso de coisas para pensar maduramente, organizar inteligentemente e desenvolver urgentemente nos mais de 8 milhões de quilômetros quadrados do País, todo marcado de situações sociais e econômicas anômalas como mais o sejam e que não são apenas as já citadas, mas muitas outras de iguais envergaduras materiais e financeiras. Em razão desses impactos, tem o povo a propensão muito justa de se preocupar com as energias do presidente, vendo diante dos olhos todo o quadro de dificuldades que o chefão terá para levar à concretização, como as mudanças políticas, previdenciárias e judiciárias, derrotando inapelavelmente negociações e acordos dificílimos como os que promete. Vai ter que se cuidar muito quanto à velocidade do veículo, seguindo o velho conselho: “Cuidado com a direção/ no carro de tua vida/ se andares na contramão/ acabas dando batida!” (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)