07 de julho de 2026
Saúde

Prática trabalha corpo, mente e voz

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O yoga é um conjunto de técnicas que envolve movimentos físicos, vocalização de sons, mentalização de imagens e concentração. Algumas linhas dão mais ênfase e uma ou outra técnica, mas a arte ortodoxa trabalha todas as técnicas simultaneamente.

De acordo com o mestre Fernando Lima, que pratica o yoga ortodoxo, são oito técnicas ao todo. O “mudrá” são gestos reflexológicos feitos com as mãos. Um exemplo é mantê-las unidas e colocadas à altura do peito. “Isso significa auto-apoio, sensação de equilíbrio, estabilidade, amparo, segurança e tranqüilidade”, explica.

O “pujá” visa a redistribuição de energia. É a técnica das mentalizações ou visualizações. Lima sugere que, em postura de relaxamento, a pessoa imagine estar envolta por uma grande aura de luz azul, que confere tranqüilidade. Mas é possível visualizar um passeio sobre o oceano, sobre um campo florido ou qualquer outra situação que garanta bem-estar.

A terceira técnica são os mantras em que a pessoa vocaliza determinados sons, cânticos e ultrassons. O mantra básico é a sílaba “OM”, que deve ser vocalizada de maneira firme e ritmada, repetidas vezes, pelo tempo que for confortável ao praticante.

“Pránáyáma” é o nome da técnica de expansão da bioenergia através de exercícios respiratórios. A respiração é considerada fundamental não só para o yoga, como para todas as teorias ligadas à saúde. Ela “alimenta” cada uma das células que constituem o corpo, mantendo os seres vivos.

A respiração é a primeira coisa que o bebê aprende quando nasce e é a última atividade do corpo antes de morrer. Ela participa ativamente de tudo o que acontece com o indivíduo, se está cansado ou nervoso ela fica rápida e curta, quando relaxa, ele dá um profundo suspiro.

O objetivo desta técnica fazer com que a pessoa tome consciência da respiração, melhorando seu desempenho cada vez mais. Ela pode ser associada ao “kriyá”, que é a técnica de purificação e limpeza do organismo.

O “yôganitrá” é a técnica da descontração, são exercícios voltados para o relaxamento e aquietação interiores. Também há o “samyana”, uma técnica de concentração e meditação onde o objetivo é promover uma parada do diálogo interno. É a aquietação dos pensamentos.

A oitava técnica - a única que pode ser representada - são os “ásanas” - posições físicas ou psicofísicas que permitem o desenvolvimento das outras sete técnicas.

A pedido do JC Saúde, os mestres Fernando Lima e Isabel Figueiredo elaboraram uma seqüência de exercícios físicos que podem ser praticados em casa por qualquer pessoa, inclusive iniciantes.

Os movimentos devem ser repetidos diariamente ou pelo menos uma vez por semana, sempre em ambiente tranqüilo, lentamente e sem nenhuma outra preocupação senão o funcionamento do próprio organismo e seu bem-estar.

Antes de fazer as atividades, recomenda-se ler as orientações dos mestres (página 4), pois sem isso, os exercícios serão apenas movimentos e alongamentos corporais.

“Uma pessoa pode fazer todos os movimentos como um praticante de nível avançado. Mas se ele não estiver concentrado, se não respirar adequadamente e estiver preocupado com outras coisas, não estará praticando o yoga. No entanto, um leigo que está acampado na floresta e deixa seu corpo relaxado, com o pensamento tranqüilo pode nunca ter ouvido falar, mas está praticando o yoga”, adverte Figueiredo.

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Pronúncia correta

Estudiosos afirmam que a pronúncia adequada da palavra yoga é /iôga/. Isso porque a origem do termo vem do sânscrito - idioma onde o fonema /ó/ não existe.

“Quando você usa um conceito de outro idioma, ou você faz a tradução ou a transliteração da palavra. A tradução de yoga é união, integração. Mas convencionou-se manter a palavra ‘yoga’. Então, é preciso fazer a transliteração, ou seja, adaptar os fonemas às letras do idioma, respeitando-se a origem”, explica o mestre Fernando Lima.

Nos dicionários de língua portuguesa, a palavra aparece como “ioga”, pronunciada /iôga/, como em iodo. De acordo com a Confederação Brasileira de Yoga, no Brasil, quando grafado com “y”, a palavra é um substantivo masculino - o yoga. Quando grafada com “i”, o vocábulo torna-se um substantivo feminino - a ioga.