09 de julho de 2026
Bairros

Asfalto é reivindicação de norte a sul

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Se decidir atender à expectativa dos moradores das zonas norte e sul de Bauru, a prefeitura vai ter de providenciar muito asfalto e galerias de águas pluviais. A reportagem do JC nos Bairros verificou, junto às associações de moradores de sete bairros dessas áreas, que esse é um dos principais problemas que afligem a população.

A região sul da cidade, tradicionalmente, possui mais infra-estrutura do que a norte, até mesmo pelo seu desenvolvimento e padrão de moradias. Mesmo assim, há bairros que ainda não tem asfalto e outros, com necessidade de recapeamento e reestruturação das ruas.

É o caso da Vila Santa Clara e a Vila Nova Santa Clara, por exemplo, dois dos bairros mais antigos da cidade. Localizados no quadrilátero que abrange da rua 15 de Novembro até a Comendador José da Silva Martha, e da rua Monsenhor Claro até a rua Sorocabana, os bairros estão com muitos problemas nas ruas, de acordo com o presidente da Associação de Moradores da Vila Santa Clara, Nova Santa Clara e Jardim Estoril 3, Maury Campos de Brito.

“O último recape foi feito há cerca de seis anos, mas as ruas têm trânsito intenso e não estão resistindo. Está tudo esburacado”, explica.

Ele diz que o fim dos buracos é a principal expectativa dos moradores e usuários das ruas da Vila Santa Clara para este ano. No entanto, há outras reivindicações, como prolongamento de ruas e captação e tratamento de esgoto.

Brito salienta que alguns moradores estão fazendo a sua parte. Como o aposentado Arthur Monteiro de Carvalho Neto. Ele tem um projeto para transformar uma área desabitada e abandonada, localizada no Jardim Estoril 3, em um espaço área de lazer. “Ele comprou a pedra e a placa para dar à praça o nome de seu pai, um jornalista de destaque no começo do século passado”, conta Brito. No entanto, o local continua com mato alto e sem nenhuma estrutura para o lazer.

Rato e poluição

O Parque das Nações, embora esteja localizado na zona sul da cidade, não tem nenhuma característica de área nobre. Com um córrego correndo a céu aberto, que mais se parece com um esgoto, e uma pequena favela em seus arredores, a área lamenta a falta de estrutura e cuidados. “A gente luta, luta, e não vê solução para os nossos problemas”, conta Maria Sebastiana Colacino Moreira.

Ela lembra que o asfalto foi prometido para os moradores há cerca de dez anos e que até agora a pavimentação ainda não chegou ao bairro. “Nós estamos abandonados aqui. Não temos escola, posto de saúde, creche, nada”, resume.

Ela diz que o córrego Água da Ressaca, que corta o bairro, está completamente poluído e inunda os barracos erguidas às suas margens a cada chuva mais forte. “Toda vez que chove, os moradores da favela têm de abandonar as suas casas, que são invadidas pelas águas sujas do córrego”, destaca.

No Jardim América, uma das maiores expectativas dos moradores também tem a ver com chuva e inundação. De acordo com o presidente da Associação de Moradores do bairro, Paulo Roberto Batista, os moradores estão aguardando ansiosamente o cumprimento do acordo feito entre a prefeitura e a Ferroban, para a construção de um duto que leve a água que desce pelo bairro até o córrego Água da Ressaca.

Ele explica que todas as vezes que chove as águas destroem a praça Palestina e as ruas do Jardim América, bairro localizado em uma baixada. “Não tem nem como arrumar a praça, fazer uma reurbanização, pois a próxima chuva que der vai colocar tudo por água abaixo”, explica.

Ruas de terra

Na zona norte, o principal problema enfrentado pelos moradores ainda é a falta de pavimentação. Bairros como o Parque Santa Edwirges, o Parque Roosevelt e o Jardim Tevê continuam com ruas de terra e muita barro para a população.

O presidente da Associação de Moradores do Parque Roosevelt, Luiz Carlos da Silva, diz que só há uma rua asfaltada no bairro. “Nós temos locais onde há guias e sarjetas, mas a rua é de terra”, conta.

De acordo com ele, essa situação é muito complicada para os moradores, pois as erosões e o barro tomam conta do bairro. “Fica difícil até para sair de casa”, salienta.

Ele destaca que a prefeitura chegou a colocar galeria de águas pluviais em algumas ruas, mas que, como não deu continuidade, só piorou a situação. “Por causa disso, a água escorre com mais força por determinadas ruas do bairro, provocando buracos enormes”, diz.

No Parque Santa Edwirges a situação não é muito diferente. Segundo um levantamento feito pela Associação de Moradores, há 120 quadras sem asfalto e mato alto nos terrenos. “O sofrimento é muito grande de quem mora por aqui”, relata o presidente da entidade, Vivaldo Pereira Martins.

No Jardim Tevê, a situação é menos complicada. Apenas uma rua está precisando de melhorias. Mesmo assim, os moradores cobram mais empenho do Poder Público na solução do problema. “Quem tem carro, não pode sair de casa com o veículo, pois não existe rua”, reclama o presidente da Associação de Moradores, Mário Alves Cursino.