O aparelhamento e a modernização de um espaço dentro do Hospital de Base (HB) para tratamentos urológicos transformaram Bauru no mais novo centro de referência nessa área, reforçando a recém-revelada vocação do município como pólo médico-hospitalar. Atualmente, a cidade oferece 95% de procedimentos de atenção básica e intervenções de alta complexidade.
A criação do centro reuniu esforços da iniciativa privada, no caso da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), mantenedora do HB, dos profissionais médicos e do Estado, que vem redirecionando as ações para melhorar o perfil e as condições dos atendimentos prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“O Estado vem interferindo porque quer um aparelho hospitalar novo, moderno, mais racional e com outras características de gerenciamento. A criação desse centro urológico, portanto, é uma resposta positiva da AHB ao nosso chamadoâ€, avalia Affonso Viviani, diretor da Divisão Regional de Saúde de Bauru (DIR-10).
Já para a AHB, o investimento de R$ 78 mil nos equipamentos urológicos tem outra motivação. O presidente da entidade, Joseph Saab, afirma que o incremento é um prêmio para a equipe de urologistas - são 11 ao todo. “Estamos investindo nos setores que mais dão retorno ao hospital em termos de tabela SUS. Em breve, premiaremos outra especialidade, que pode ser a de gastro (gastrenterologia, que se ocupa no tratamento do aparelho digestivo)â€, especula Saab.
Para o corpo clínico, o centro de urologia é uma experiência nova, mas que já vem dando sinais de satisfação. Os médicos formaram uma associação sem fins lucrativos que também agrega os três únicos nefrologistas que atuam na AHB. Carlos Alberto Monte Gobbo, escolhido para ser o primeiro presidente da Associação Uro e Nefro de Bauru, conta que o espírito é o trabalho em conjunto.
“Até então, cada um trabalhava por si, com seus equipamentos próprios, sem retaguarda nenhuma. Atendíamos pacientes do SUS, mas sem critérios prévios e controle, o que abria espaço, por exemplo, para o tráfico de influências. Ou seja, às vezes o cidadão conseguia tratamento por conta de uma indicação e assim por diante. Agora, não. Atenderemos num único local a pacientes triados e encaminhados pela DIR, vindos de Bauru ou de qualquer outra das 38 cidades abrangidas pela Divisãoâ€, expõe Gobbo.
Através da recém-criada associação, os urologistas juntaram seus equipamentos e conhecimentos específicos para prestar todo tipo de tratamento, desde as doenças de próstata aos problemas afetos à reprodução e sexualidade. O ambulatório, que deverá estar em plena atividade até o final deste mês, funcionará no número 1-63 da avenida Duque de Caxias, mas atenderá somente pacientes com recomendação. O diagnóstico inicial continuará sendo feito pelas unidades básicas de saúde.
Cirurgia da próstata
A criação do centro no Hospital de Base, onde uma adaptação física gerou uma ala exclusiva com 13 leitos para os pacientes de urologia, abre caminho para a popularização da cirurgia da próstata. Assim como ocorreu com a cirurgia de catarata, o procedimento passa a ser oferecido sem limite de teto, ou seja, será feito em todas as pessoas que, via diagnóstico médico, comprovarem necessidade de serem submetidas a ele.
Apesar de desconhecer o contingente local e regional de homens que precisam da cirurgia, Gobbo garante que a demanda será grande, muito além, inclusive, do que a ala exclusiva de leitos pode suportar.
“Essa quantidade será redimensionada futuramente, mas o que importa é a mudança, para o paciente, na perspectiva de atendimento. Ele não passará por uma simples consulta, e sim, terá o comprometimento de um grupo inteiro na solução do problemaâ€, pondera o urologista.
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Especialidades
Na área da DIR-10 já funcionam núcleos de referência para tratamentos específicos e de alta complexidade em cinco áreas da medicina. A urologia chega como a sexta na lista.
Os hospitais Manoel de Abreu, também mantido pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), e Amaral Carvalho, em Jaú, são nomes de notório reconhecimento em procedimentos químio e radioterápicos. O Amaral Carvalho e o Hemonúcleo de Bauru figuram como referências em hematologia.
O Hospital de Lins, a Santa Casa de Jaú e o Hospital de Base de Bauru mantêm centros na área de nefrologia, sendo o último um endereço de fama respeitável em neurocirurgia.
O titular da DIR-10, Affonso Viviani, comenta que existe muita expectativa na formação de centros de referência em psiquiatria e cardiologia, particularmente em cirurgia infantil cardíaca, o que “pode acontecer daqui a dois ou três anosâ€.
É grande também a carga de expectativa sobre a transformação no Hospital de Base num centro cirúrgico especializado em urgência e emergência e traumatologia.
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Para que servem os novos aparelhos
O urologista Aparecido Donizeti Agostinho, membro da recém-criada Associação Uro e Nefro de Bauru, garante que os equipamentos que aparelham o centro urológico do Hospital de Base retratam o que há de melhor e mais avançado em termos de tratamento na área.
“Temos à nossa disposição aparelhos modernos que permitem intervenções simples e complexas da forma mais confortável possível. Estamos no nível dos melhores hospitais em termos de aparelhagemâ€, assegura. O custo médio dos tratamentos urológicos é de R$ 2,5 mil. A seguir, saiba quais são e para que servem os aparelhos do Centro Urológico do HB.
• Receptoscópio completo: é utilizado no tratamento da hiperplasia prostática benigna, a doença mais comum da próstata e que atinge os homens acima dos 50 anos de idade, causando dificuldade para urinar e com chances de evoluir para a retenção urinária. O aparelho permite também operações de câncer de bexiga e tratamento da estenose da uretra, geralmente causada por traumas externos.
• Ureteroscópio: utilizado na cura dos cálculos ureterais (pedra no canal da urina) e no diagnóstico de tumores no ureter.
• Litotridor: serve para quebrar as pedras.
• Nefroscópio: utilizado para cirurgias percutâneas (através da pele) de cálculos renais.
• Videocâmera: permite uma melhor qualidade na imagem dos órgãos internos via monitor.