10 de julho de 2026
Polícia

Polícia Militar prende acusado de quatro estupros em Bauru

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Militar (PM) prendeu ontem, no Parque Real, por volta das 20h, Roberto Fernandes, 33 anos, acusado de ter praticado pelo menos quatro estupros e uma tentativa de estupro na região da Vila Dutra, em Bauru. Ele foi reconhecido por três vítimas através de uma foto.

De acordo com o cabo Pitta, da PM, o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) recebeu uma denúncia anônima de que um rapaz acusado de estupro estava andando a cavalo atrás de uma creche no Parque Real. “Nós chegamos lá e, enquanto íamos por uma rua, ele fugia pela outra”, conta o policial.

Um grupo de cerca de 50 pessoas, moradores do bairro, cercou Fernandes e o derrubou do cavalo. Nesse momento, os policiais encontraram o acusado e o detiveram. “Ele era muito conhecido naquela região e as pessoas estavam de olho nele”, conta o cabo Pitta.

De acordo com ele, Fernandes estava sendo procurado pela polícia há 40 dias. As vítimas eram jovens entre 14 e 18 anos, moradoras da Vila Dutra, Parque Santa Cândida, Vila Industrial e Mutirão Leão 13.

O acusado geralmente as arrastava para o mato e usava o dedo como se fosse o cano de um revólver para ameaçá-las. “Ele apertava com tanta força que a gente ficava com medo”, diz uma das vítimas.

De acordo com Rejani Borro Tiritan, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Fernandes já tinha várias passagens pela polícia, sendo uma delas por tentativa de estupro, em 1991. “Na época, ele era fugitivo do Instituto Penal Agrícola (IPA)”, diz a delegada.

Ontem à noite, Fernandes foi reconhecido por uma das vítimas na delegacia. As outras duas o reconheceram somente por foto. “Vamos confrontá-las com ele durante o dia, com testemunhas, para ter mais certeza da acusação”, diz Rejani.

Com base no reconhecimento de uma das vítimas, a delegada estava requisitando à Justiça a prisão temporária de Fernandes. Se forem comprovados os quatro estupros, ele poderá pegar de 24 a 40 anos de prisão. “A pena é de seis a dez anos por cada crime cometido”, informa a delegada.

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Vítima chegou a ficar durante quatro horas com o homem

Três das cinco vítimas do acusado de estupro na região da Vila Dutra, Roberto Fernandes, compareceram ontem à noite ao plantão policial para reconhecer o rapaz. Elas confirmaram para a reportagem do JC que ele era o mesmo que as atacou recentemente. O nome das vítimas não estão sendo divulgados para preservá-las.

J., 18 anos, conta que Fernandes teria ficado com ela durante quatro horas, submetendo-a a uma série de “torturas”. “Foi horrível. Não gosto nem de lembrar”, diz.

A menina conta que, no último dia 21, estava passando pela quadra 9 da avenida das Bandeiras, por volta das 18h, quando foi agarrada pelo acusado. “Ele pulou como um bicho na minha frente”, salienta.

Para dominá-la, Fernandes teria tapado a boca e colocado o dedo no pescoço da menina, dizendo ser uma arma. “Na hora, eu acreditei que fosse mesmo uma arma, pois ele apertava muito o meu pescoço”, destaca J.

Ela lembra que o acusado atirou-a no mato e disse que, se ela abrisse a boca, seria morta. “Tinha muita gente passando na rua, ainda estava claro, mas eu fiquei com medo de morrer”, diz.

Além de estuprá-la, Fernandes teria dado vários socos no rosto da menina durante as quatro horas em que permaneceu com ela no matagal. “Primeiro, ele me ameaçou de morte e, depois, me ofereceu dinheiro para que eu não o denunciasse”, conta.

J. diz que, a partir daquele dia, não saiu mais de casa sozinha. Ela salienta que chegou a encontrar duas vezes com Fernandes nas ruas do bairro. “Em uma delas, eu saí correndo. Na outra, ele correu e se escondeu de mim”, destaca.

A jovem lembra, ainda, que ele mandou um outro homem, que ela não soube dizer quem era, abordá-la na rua e dizer que iria matar uma por uma, ela e as amigas que sabiam do estupro.

Outra vítima do acusado teria sido D., 14 anos, moradora do Parque Santa Cândida. Ela conta que estava voltando da escola, sozinha, por volta das 23h, quando foi agarrada por ele na rua. “Eu sempre ia para casa com os meus amigos. Justo naquele dia, eles não tinham ido à escola”, lamenta.

A menina também teria sido levada para um matagal e estuprada. “Eu passo mal só de lembrar”, diz.

Uma das últimas vítimas de Fernandes teria sido R., 16 anos, moradora da Vila Dutra. Ela conta que foi atacada pelo acusado na quinta-feira, dia 2, por volta das 20h, próximo à sua casa. “Eu estava voltando da casa da vizinha, onde tinha ido buscar um pacote de sal para minha mãe”, lembra.

De acordo com ela, Fernandes a teria agarrado por trás e tapado sua boca. “Ele me empurrou para o mato e disse que, se eu gritasse, ele me matava.”

A menina salienta que o acusado tem muita força e que a machucou bastante. “Ele me deu muitos tapas na cara e me apertava de uma maneira horrível”, diz.

Ela conta que ainda tentou fugir dele, quando fingiu que ia amarrar o cabelo. “Nessa hora, eu passei por baixo de um arame farpado e sai correndo. Mas como estava com as pernas bambas de medo, acabei caindo e ele pulou em cima de mim”, lembra.