10 de julho de 2026
Política

Para vereadores, o 'erro' foi grave

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A situação do vereador Osvaldo Paquito (PPS) na Câmara Municipal é de desconforto entre seus colegas de plenário. Eles avaliam como grave o “erro” cometido pelo parlamentar, que depositou em sua conta bancária um cheque nominal emitido pelo Poder Legislativo para pagamento de prestador de serviço.

â€œÉ um fato estranho e extremamente grave. Acho até que é inconcebível o que ocorreu”, avalia o vereador Milton Dota Jr. (PTB). Para ele, a situação em que se encontra Paquito “é preocupante”.

“Mesmo que não tenha havido conduta dolosa, ele está sob suspeição”, diz o petebista. Dota Jr. avalia que o parlamentar do PPS vai ter que se explicar à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras, que será a responsável pelo destino de seu mandato.

Antes de tornar público o fato, Paquito procurou alguns vereadores para relatar sua situação e justificar os motivos que o levaram a depositar em sua conta bancária um cheque da Câmara emitido a terceiros.

O vereador José Clemente Rezende (PSB) confirma que foi procurado pelo parlamentar. “Ele (Paquito) me procurou e relatou o que tinha acontecido. Isso ocorreu há duas semanas. Mas suas explicações não me convenceram”, afirma.

Segundo Clemente, o valor do cheque depositado por Paquito não corresponde ao que consta na lista de pagamentos feito pela Câmara durante o exercício financeiro de 2001.

“Se somarmos os dois primeiros cheques recebidos pela empresa em janeiro de 2001 - um de R$ 1.218,00 e outro de R$ 522,00 - vamos ter o valor exato da nota fiscal apresentada pela Volare, que é de R$ 1.740,00. Mas não tenho na minha relação um único cheque de R$ 1.682,58 emitido a essa empresa”, explica.

Regimento Interno

O parlamentar do PSB lembra que o Regimento Interno da Câmara Municipal e a Lei Orgânica do Município (LOM) são claros quando apontam as proibições as quais estão sujeitos os vereadores.

“A legislação proíbe que o parlamentar tenha relação comercial com órgãos públicos. E na minha opinião o que ocorreu com o Paquito foi uma transação comercial. Por que vereador tem que receber cheque de fornecedores da Casa”, questiona.

O artigo 65 do Regimento Interno do Legislativo diz que perderá o mandato o vereador que infrigir as proibições estabelecidas no artigo 11 da LOM: “Os vereadores não poderão, desde a expedição do diploma, firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público municipal”, diz o artigo.

Além de Clemente, Paquito também procurou para se explicar o recém-empossado presidente da Câmara, vereador Renato Purini (PV).

O parlamentar verde preferiu avaliar a situação com cautela. “Quem sou eu para falar que o Paquito está mentindo. O procedimento, lógico, não foi correto. Ele cometeu um erro que não poderia ter cometido”, analisa.

Purini conta que Paquito não lhe apresentou documentos para provar sua inocência na situação. “Estou acreditando no que ele me disse. Agora, ele foi ingênuo.”

Ele avalia que esse fato novo vai prejudicar um pouco mais a imagem da instituição, que atravessa a pior crise de sua história política.