Os cerca de 30 mil moradores da região do Núcleo Mary Dota estão sendo prejudicados com a interdição da ponte Ayrton Senna, sobre o rio Bauru. Além de perder um dos três acessos ao bairro, quem precisa chegar ao Distrito Industrial 1 tem que percorrer vários quilômetros a mais, reclamam moradores da região.
A ponte foi interditada ontem pela manhã pela Secretaria Municipal de Obras devido a rachaduras que surgiram em um dois oito blocos de fundação da estrutura. O fato da obra, que custou mais de R$ 250 mil, ter sido entregue há menos de três anos, em setembro de 2000, véspera da eleição que reelegeu Nilson Costa (PPS) prefeito de Bauru, suscita questionamentos, que são rebatidos pela prefeitura.
O metalúrgico Joaquim Seleghin Júnior, que mora no Mary Dota e trabalha no Distrito Industrial 2 e ontem não pôde passar pela ponte com sua moto, por exemplo, acha que as rachaduras podem ter surgido por causa da pressa da prefeitura em entregar a obra. “Essa ponte deveria ter sido feita para agüentar veículos pesados, mas foi entregue às pressas e agora estamos de novo sem o acessoâ€, diz.
O secretário interino de Negócios Jurídicos, José Roberto Anselmo, afirma que a estrutura da ponte, onde surgiram as rachaduras, foi construída pela Construtora Toffer, em 1999, um ano antes da entrega da obra e sem nenhuma pressa. “O contrato da construtora com a prefeitura é de 99. A estrutura foi feita bem antes, no prazo normal. A pista é que foi feita pouco antes das eleiçõesâ€, frisa.
Para Waldir Caso, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Leste, além de prejuízo financeiro, já que os moradores vão gastar mais combustível para chegar à região do Distrito Industrial, a interdição é um caso de segurança. “À medida que esse acesso ao Mary Dota está interditado, vai sobrecarregar o acesso pela Vila Santa Luzia. Com mais carros, o risco de acidentes é maiorâ€, frisa.
O metalúrgico Adair dos Santos é outro que questiona a pressa do prefeito Nilson Costa em entregar a ponte antes da eleição de 2000. “Quiseram entregar antes da eleição e deve ter tido algum problema na construçãoâ€, diz.
Por causa da interdição, ontem ele dispensou a carona de carro que sempre pega para voltar do trabalho, no Distrito Industrial, para casa, no Núcleo Beija-Flor. “Resolvi voltar a pé porque pedestre passa pela ponte. Meu colega, que sempre me dá carona, tem que dar a volta. Ele vai demorar mais que eu, que estou a pé, para chegar em casaâ€, frisa.
O funcionário público Hildo Daniel de Souza, que ontem à tarde precisou retornar com seu carro ao verificar os obstáculos antes da ponte, diz que a interdição complica a vida de muita gente. “Eu moro no Mary Dota e até a casa de meus parentes no Jardim Carolina, pela ponte, são 3,3 quilômetros. Agora, pela avenida Rodrigues Alves, são 9 quilômetrosâ€, diz.
Ele acredita que as rachaduras surgiram em função da passagem de veículos pesados. “Essa ponte precisava ser bem feita, projetada para veículos pesados para não dar problemas assimâ€, critica.
Já o comerciante Francisco Romeda, que também precisou virar o carro quando já estava na cabeceira da ponte, diz que se há risco, é preciso interditar. “Vou andar um pouco mais para chegar ao Mary Dota, mas é preciso pensar na segurançaâ€, diz.
Para o radialista Marcos Aurélio da Silva, que passava pela ponte quatro vezes por dia para trabalhar, as rachaduras podem ser resultado da retirada de areia do rio naquele ponte. “O porto de areia pode ter causado esse problema porque puxa a areiaâ€, afirma.
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Obstáculos
Desde ontem pela manhã, obstáculos dos dois lados da ponte Ayrton Senna impedem a passagem de veículos. A prefeitura dispôs no meio da pista sete blocos de concreto a cerca de 100 metros de cada cabeceira da ponte e montes de terra entre eles.
O secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, conta que precisou reforçar os obstáculos porque ontem pela manhã alguns motoristas retiraram as grades de madeira que normalmente são usadas para interdição e atravessaram a ponte. “Da forma que colocamos os blocos de concreto, que têm entre 400 e 500 quilos cada um, não dá para passar de carro de jeito nenhumâ€, avisa.
Além dos blocos de concreto, que ontem à tarde foram pintados com cores reflexivas, entre um e outro foram colocados montes de terra. Com os obstáculos, apenas pedestres, ciclistas e alguns motociclistas conseguem passar pela ponte. “Nossa preocupação é que as medições feitas nos últimos quatro dias mostram que toda a estrutura da ponte movimentou cerca de três milímetrosâ€, conta Duarte.