09 de julho de 2026
Política

Cheque de pintor cai na conta de Paquito

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador Osvaldo Paquito (PPS) assumiu ontem que depositou em sua conta bancária um cheque da Câmara Municipal no valor de R$ 1.682,58 nominal à empresa Volare Comércio e Obras Ltda. A operação bancária ocorreu no dia 11 de janeiro de 2001. O dinheiro foi sacado da conta por ele no mesmo dia.

Na próxima segunda-feira, Paquito vai protocolar na Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras documento que explicaria os motivos que o levaram a fazer o depósito do cheque em sua conta corrente.

A comissão de investigação está para receber o microfilme do cheque, solicitação que foi feita há mais de três semanas depois que o nome do vereador apareceu numa lista de pessoas que pegaram cheques nominais emitidos pela Câmara a fornecedores.

O parlamentar, porém, afirma que a operação bancária foi feita para atender a um pedido do pintor de paredes Paulo Antonio Velasco, que presta serviço para a Volare. Ele garante que não levou nenhuma vantagem pessoal ao depositar o cheque na sua conta.

“Fiz de maneira inocente, sem má-fé”, conta. Paquito diz que é amigo do pintor. “No dia do recebimento pela prestação do serviço, ele (Velasco) não tinha como descontar o cheque. Me falou que precisava do dinheiro e não tinha como esperar porque tinha compromissos que já haviam sido prorrogados”, relata.

O parlamentar conta que se prontificou a ajudar. “A empresa carimbou o cheque, depositei na minha conta, saquei na mesma hora e entreguei o dinheiro na mão dele.”

“Fui infeliz”

O vereador reconhece o erro. “Foi um erro de percurso. Fui infeliz. O problema mais grave é ter depositado o cheque na minha conta”, avalia. Na avaliação dele, a CEI não deve lhe aplicar uma punição severa. “Não vejo motivos para punição. É uma questão da pessoa acreditar ou não. Mas não posso dizer que eu não temo (uma punição).”

Ele acredita que a comissão de investigação, após receber a documentação, vai poder julgá-lo de maneira isenta. “Se eu estivesse do outro lado analisando o documento, no caso de ser uma outra pessoa envolvida, entenderia perfeitamente o que ocorreu”, analisa.

Questionado sobre o impacto que o fato vai provocar na sociedade e no Poder Legislativo - que já enfrenta uma situação de desgaste por causa de sérias denúncias de irregularidades -, Paquito diz estar consciente da repercussão.

“A sociedade quer ver sangue. Ela não tem consciência de como ‘funciona’ um vereador. Lamento profundamente as opiniões de algumas pessoas que vejo no jornal. Nós, vereadores, temos um cargo muito ingrato. Somos culpados de tudo”, reclama.

O parlamentar avalia que a situação que o envolve “é uma coisa boba”. “Mas diante da situação que a Câmara passa, eles (vereadores) podem querer dar uma conotação diferente do meu procedimento. Se fizerem, vão cometer uma injustiça.”

O vereador afirma que não procedem as especulações de que não seria apenas um cheque que teria sido depositado por ele na sua conta bancária. “Não. Essa foi a única vez.”

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Fato antecipou renúncia

O vereador Osvaldo Paquito (PPS) renunciou à relatoria da CEI das compras no último dia 17. Segundo ele, a decisão de se afastar da comissão de investigação já estava relacionada ao fato que hoje torna-se público.

“Eu não me sentiria totalmente isento, à vontade, para julgar alguém sabendo que amanhã eu poderia ser julgado. Na dúvida, achei melhor me afastar”, diz.

Para a vaga de Paquito, o plenário da Câmara elegeu o vereador José Humberto Santana (PV), que acabou assumindo a relatoria da comissão de investigação.

O vereador do PPS conta que assim que se desligou da CEI foi se inteirar da documentação para rastrear o cheque depositado na sua conta corrente.

“Eu tinha certeza que tinha recebido o cheque, mas não me lembrava, depois de dois anos, o que tinha feito com ele.”