Quantos tenham condições de fazê-lo não podem deixar que o País venha a ter neste 2003 a mesma epidemia de dengue que teve de suportar no começo do ano que passou. Registrando durante 2002 quase 800 mil casos da insidiosa doença, o Ministério da Saúde tremeu na ocasião e, agora, não deseja a menor repetição do problema nos mesmos 650 municípios onde apareceram aqueles casos, muitos dos quais funestos. E tem motivos para recear, porque, segundo as previsões meteorológicas, neste semestre a quantidade de chuvas será maior que no ano passado e provocará, então, maior incidência da enfermidade, principalmente nos Estados do Rio de Janeiro e Pernambuco, campeões absolutos do problema. Não é menos perigosa a situação em outros países, sabendo-se que em várias regiões da Europa, Ásia e África as precipitações pluviométricas têm assinalado projeções catastróficas, com destruições de cidades e centenas de mortes.
No próximo dia 15 os secretários do Estado da Saúde e do Sudeste deverão reunir-se coletivamente para amplo diagnóstico do problema na região e, no dia seguinte, idêntica reunião acontecerá no Nordeste com igual objetivo. Cientes as autoridades de que o controle denguístico se condiciona a fatores climáticos, pois a proliferação do mosquito gerador planta suas sementes nas águas, os departamentos estaduais da Saúde estão sendo inseridos em pacotes de ações de prevenção da doença para execução tão imediata quanto possam, inclusive contratação de nove mil “mata-mosquitos†devidamente armados e municiados para o pavoroso enfrentamento. Contudo, não serão apenas providências do Ministério, concatenadas para a guerra contra o grande mal, suficientes para abater os milhões de transmissores em suas alagadiças trincheiras nas áreas rurais e jardins e quintais urbanos. Também as populações regionais serão convocadas como tropas de combate centralizado contra o exército inimigo, daí a justificativa de que precisam as coletividades imbuir-se de responsabilidades, coragem e boa vontade e investir seriamente contra a malta destemida e voraz que anda à procura de águas límpidas ou paradas para picar os incautos e rir de suas febres e demais sintomas e, finalmente, de suas inapeláveis mortes. Oxalá pudesse ser diferente a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)