A ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, interditada anteontem por causa de rachaduras em um dos oito blocos de sustentação, não corresponde integralmente ao projeto original. As estacas do bloco avariado foram construídas em posição, uma em relação à outra, diferente do projeto.
A constatação foi feita pela Secretaria Municipal de Obras. Porém, o titular da pasta, Antônio Carlos Duarte, prefere aguardar o laudo pericial da ponte para depois comentar se a mudança de posição das estacas interferiu ou não no surgimento das rachaduras. “As estacas não foram feitas com a mesma abertura que estão no projetoâ€, diz.
Sabe-se, extra-oficialmente, que o projeto da ponte previa duas estacas posicionadas uma a dois metros de distância da outra. Porém, elas foram construídas em distância maior, que chegaria a 2,9 metros.
Duarte não quis revelar qual a distância entre as estacas foi medida pelos técnicos da Secretaria de Obras alegando que pode haver erro. “Temos que esperar a perícia judicial porque nós adotamos uma metodologia que pode não ser a mais indicada. Além disso, pode haver erro nessa nossa mediçãoâ€, frisa.
A estrutura da ponte foi construída pela Toffer, uma empresa de Piracicaba, contratada pela Prefeitura de Bauru em 1999. A diretoria da empresa, outra vez procurada pelo JC para comentar as rachaduras na estrutura, sobre não retornou a ligação.
Já os aterros da cabeceira foram feitos pela própria prefeitura. A ponte foi entregue em setembro de 2000, na véspera da eleição na qual Nilson Costa foi reeleito prefeito.
A ponte está interditada por tempo indeterminado. Cerca de 30 mil pessoas, que moram na região do Núcleo Mary Dota, estão sendo afetadas pois têm que andar vários quilômetros a mais para chegar à região do Distrito Industrial 1.
O secretário de Obras reuniu-se com José Roberto Anselmo, secretário de Negócios Jurídicos em exercício, ontem pela manhã para tratar dos encaminhamentos visando a recuperação da ponte. A Secretaria de Obras pediu projetos de proposta de recuperação da ponte a três escritórios de engenharia.
Enquanto isso, a Secretaria de Negócios Jurídicos ajuizou ação, que está na 5.ª Vara Cível, pedindo a confecção antecipada de provas, para verificar de quem é a responsabilidade pelas rachaduras. Se o laudo judicial concluir que houve erro na estrutura da ponte, a prefeitura poderá cobrar da construtora a restituição do valor gasto na recuperação.
Até o final da tarde de ontem, nenhum escritório de engenharia havia respondido aos pedidos de projeto de proposta de recuperação da ponte, feitos anteontem pela Secretaria de Obras. Só com a proposta em mãos é que a prefeitura poderá iniciar a recuperação, explica Duarte.