Sou professor da Rede Estadual de Ensino desde 1983 e nunca vi nesses meus 50 anos de idade e 28 de militância uma política tão perversa como a praticada pelos senhores FHC/Geraldo Alckmin/Gabriel Chalita/Jair Sanches Vieira, respectivamente, ex-presidente da República, governador do Estado de São Paulo, secretário de Estado da Educação e dirigente regional de Ensino de Bauru
Nos anos 60/70 lutamos contra a ditadura militar, a carestia, a censura. Queríamos democracia. Nos anos 80/90 lutamos contra a inflação, o desemprego, a corrupção. Queríamos votar (Diretas-já) para presidente. Derrubamos o presidente (Fora Collor) corrupto no exercício de nossa cidadania dentro de um país democrático.
Nos anos finais do século 20 e iniciais do século 21 continuamos lutando contra o desemprego, a fome, a miséria, a violência e, pasmem! Contra a ditadura civil de um governo que retira brutalmente os direitos mais sagrados da população, como o direito de expressão, que usa a caneta para punir, a ameaça para calar e os instrumentos repressivos para ferir ou matar e ainda se diz democrático nas pessoas acima citadas.
O que aconteceu em Bauru dia 18/12 foi um exemplo vivo disto, onde o dirigente de Ensino de Bauru, professor Jair Sanches Vieira, organizou um Fórum para “debater†a tal da “escola dos nossos sonhosâ€, utilizando como instrumentos:
1) O local da realização do evento foi numa escola particular de Bauru que tem excelente infra-estrutura para acomodação, contrastando com a penúria das nossas pobres escolas públicas, que são abandonadas pelo governo;
2) A convocação para o Fórum teve caráter de convite (vai quem quer) para algumas escolas e para outras o convite foi um convocação (obrigação);
3) Palestrantes (que estão fora do chão da escola do ensino fundamental) que despejaram em nós, durante quatro horas, suas maneiras de ver o mundo (da fantasia?) na filosofia da “educação e afeto†do senhor secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita: traduzida em “auto-estimaâ€, “o que é amar†e “as três dimensões do amorâ€, cujos conteúdos, na minha avaliação, muito evasivos, pois não acrescentaram nada de novo e de bom para os professores, alunos e melhoria da qualidade da educação. Além de termos de engolir algumas provocações, dentre as quais que o exercício do Magistério como professor não é uma profissão, é uma missão, e que o dinheiro não é importante porque não temos uma profissão, temos uma missão. Absurdo dos mais deslavados!!!
4) A proibição do exercício da cidadania dos participantes, manifestada na proibição do meu direito de usar a palavra no final do evento por discordar do conteúdo das palestras;
5) Foi autoritário para poder esconder sua incompetência, pois não demonstrou capacidade suficiente para administrar conflitos, nesse caso, conflitos de idéias num “Fórum de debates†que eu esperava ser democrático.
Às professoras e aos professores que lá estiveram eu pergunto: até quando havereis de suportar caladas e calados essa farsa?
Saibam que diante de tudo isto que está acontecendo, se a Escola Pública (vocês, meus colegas) não tiverem um compromisso político e coragem de subverter a ordem em razão dessa política que destrói direitos consagrados da população e se prestarem a reproduzir ou aceitar passivamente esse discurso neo-liberal que leva ao aprofundamento das desigualdades sociais; sem um "re-fazer", um "re-pensar", um "re-agir", e preferirem implementar tudo o que vem de cima, para não “terem trabalhoâ€, não “terem encheção†e aprovarem automaticamente o aluno só para não terem que justificar ou dar explicação; saibam que vocês estarão prestando um desserviço para os próprios alunos e para toda a Nação brasileira, pois estarão, com isso, apostando no futuro andando para trás, como a política neo-liberal que em nome da modernidade, da estabilidade e do progresso trouxe o aumento da violência, do desemprego, da miséria e da exclusão da maioria do povo.
Então, é preciso ter coragem. Ser o agente transformador, o ator protagonista nesse cenário onde às vezes a caneta que assina as Leis é a mesma que escreve “justissa sossialâ€, porque a mão que a segura é de um figurante que não entende muito daquilo que assina ou esqueceu o que aprendeu e o que escreveu. Caso contrário...
Esta não é a escola dos nosso sonhos. Esta não é a escola que quereremos. (Professor Duilio Duka de Souza – duilioduka@uol. com.br)