• Otimismo
Uma boa notícia para o início do ano: o Sebrae-SP prevê recuperação do mercado de trabalho no segundo semestre deste ano. A possibilidade foi constatada após estudo realizado pela LCA Consultores, focalizando as perspectivas para o mercado de trabalho brasileiro. Segundo a LCA, a expectativa é de que haja uma melhora gradativa das condições de financiamento dos compromissos externos brasileiros - leia-se dívidas - nos próximos meses.
• Dólar barato
Com isso, é possível evitar que o dólar se torne mais caro ao longo de 2003. Segundo a LCA, se de fato houver recuperação gradual na cotação da moeda americana, o impacto da alta recente da inflação sobre a renda real tende a ser um pouco diluído ao longo do tempo. Até o final do primeiro trimestre, a pesquisa aponta que o consumidor deve sentir menos a inflação corroendo o bolso.
• Fôlego
Ainda, sem a pressão da cotação, será possível cortar juros paulatinamente ao longo do ano, o que poderá aquecer atividade econômica. Num clima de recuperação, a LCA avalia que o nível de emprego deverá ganhar algum fôlego até o meio do ano, impulsionado pela melhora das exportações e algum crescimento da demanda interna, decorrente da manutenção do poder aquisitivo.
• Indústria
De acordo com os consultores da LCA, a produção voltada para a substituição de importações e para a exportação continuarão sendo a base de sustentação da atividade econômica, o que aponta a indústria como principal personagem na recuperação do emprego, expandindo-se um pouco mais rapidamente do que nas demais atividades.
• SP à frente
Por conta de seu perfil industrial, a região metropolitana de São Paulo poderá voltar a ser mais dinâmica do que a da média das demais regiões brasileiras. Segundo a LCA, o nível de ocupação na economia deve aumentar 2,35% em 2003 frente a 2002 no Brasil, e um pouco mais no Estado de São Paulo: 2,85%. A massa de renda do trabalhador deve permanecer estável (+0,1%) no Brasil e apresentar ligeira alta em São Paulo (+0,7%).
• Básico
Para o economista do Sebrae-SP, Pedro João Gonçalves, a confirmação do cenário exposto pelo levantamento poderá beneficiar as micro e pequenas a partir do segundo semestre de 2003, pois a melhora da ocupação na economia brasileira favorece a demanda por bens e serviços básicos, como alimentos, confecções e materiais de construção, ofertados por micro e pequenas empresas.
• Realidade
Até que vingue a previsão otimista da LCA Consultores, as micro e pequenas empresas (MPEs) continuam amargando perdas. Em São Paulo, essas empresas registraram queda de 4,7% no faturamento nominal em novembro de 2002 em comparação ao mês anterior. Os dados são da Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas (Pecompe), também realizada pelo SEBRAE-SP e pela Fundação Seade.
• Adversidade
O quadro se configura pior se comparado o acumulado do ano (de janeiro a novembro de 2002) com o mesmo período do ano anterior: a queda no faturamento nominal foi de 14,4%. Para o Sebrae-SP, o resultado negativo é reflexo da “conjuntura adversa†enfrentada pelas MPEs ao longo de 2002, em virtude das altas taxas de juros da perda do poder de compra dos trabalhadores.
• Dragão
Em meio à ameaça de crise para as MPEs, os gastos com salário nominal tiveram aumento de 2,2%. Isso não significa melhora de salários, entretanto. O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, registrou elevação de mais de 20% durante o período analisado (janeiro a novembro). Ou seja, se há aumento, este não é suficiente para recuperar as perdas com o dragão.