10 de julho de 2026
Cultura

Maria-Fumaça passa por mais um teste

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Construída em 1919 e totalmente restaurada, a locomotiva 278 passou por mais uma fase de testes, na tarde de ontem, e viajou até a antiga estação de Val de Palmas, localizada na zona rural de Bauru, atualmente desativada. Hoje, das 10h às 13h, a Maria-Fumaça, como é popularmente conhecida, estará em exposição para visitação, no Museu Ferrovário Regional.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), a Maria-Fumaça teve um bom desempenho e despertou o interesse da comunidade. Durante todo o trajeto, pessoas saíram nas janelas e ruas para prestigiar a passagem da locomotiva.

A maior receptividade veio dos idosos e das crianças. Os primeiros tomados pelas lembranças do passado e as outras impressionadas por uma máquina até então “desconhecida”. A viagem de ida e volta (26 quilômetros) à estação de Val de Palmas – entre todas as paradas – durou cerca de duas horas.

Com a locomotiva em funcionamento e seu carro de passageiro em processo de restauração, o projeto “Ferrovia para Todos”, iniciado em outubro de 2001 pela SMC prepara, para um futuro próximo, um turismo pedagógico entre o Museu Ferroviário Regional e a antiga estação de Curuçá, localizada na Vila Dutra.

Construída em 1919, pela empresa norte-americana Baldwin Locomotives Works, a locomotiva 278 foi adquirida em 1920, pela empresa ferroviária Noroeste do Brasil, para o transporte de passageiros. Peças semelhantes as que foram restauradas da Maria-Fumaça só são encontradas em acervos de museus no Brasil ou em operação em pequenos trechos ferroviários, com finalidade turística ou museológica.

O projeto “Ferrovia Para Todos” conta com o apoio do Jornal da Cidade, Faidiga Madeiras, designer André Petraglia, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Associação dos Amigos dos Museus, RFFSA-Bauru, Centro de Interação Social (Cite), Rádio Unesp, Rádio Auri-Verde, Bauru Painéis, Lwart, Seagro, Secretarias Municipais de Obras, Meio Ambiente e das Administrações Regionais, além de ferroviários aposentados.

• Serviço

Exposição da locomotiva 278, restaurada pelo projeto “Ferrovia Para Todos”. Hoje, das 10h às 13h, no Museu Ferroviário Regional. Rua 1º de Agosto, quadra 1. Telefone: (14) 235-1176.

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Bauru inaugurou seu primeiro trecho ferroviário há cerca de um século

Entre os anos de 1900 e 1920, a chegada das estradas de ferro a Bauru alavancou uma série de benefícios para a cidade: transporte de passageiros e de carga, aumento na produção de café, mudança de costumes e hábitos alimentares na população, migração de mineiros e cariocas em busca de trabalho, surgimento da imprensa, instalação da rede de água e esgoto, pavimentação das ruas, construção de cinemas, clubes de esportes, escolas, hospitais, dentre outras coisas.

Segundo Chinalha, no dia 27 de setembro de 1906, Bauru ganhava seus primeiros 48 quilômetros de trilhos. A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) inaugurava seu trecho provisório de Bauru a Jacutinga (atualmente Avaí).

A inauguração contou com a presença de diversas autoridades, incluindo a do Ministro da Viação, engenheiro Lauro Miller, sua comitiva e vários jornalistas do Rio de Janeiro e São Paulo, que vieram em trem especial da Companhia Sorocabana.

A Estação Ferroviária Noroeste do Brasil, começou a ser construída em 4 de setembro de 1935, pela empresa Leão de Ribeiro & Cia. A construção foi necessária para abrigar os escritórios centrais da administração da NOB, devido ao grande fluxo de passageiros da Companhia Paulista e da Sorocabana. Foi inaugurada no dia 1 de setembro de 1939, pelo então diretor da NOB, Marinho Lutz.