08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Direito de resposta


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“A melhor maneira de ridicularizar um idiota é deixá-lo falar”. Talvez esta simples assertiva seja, por si só, suficiente para responder ao tal “professor Duílio Duka” e ao “Coletivo anti-racismo” que, em 19/12/02, fizeram publicar nessa Tribuna missivas em repúdio à minha pessoa, como que se sentindo ofendidos por uma carta de minha autoria. Para estancar definitivamente a verborragia utilizada, pelo insipiente conteúdo das missivas, percebe-se que ou não entenderam o caráter da 1a carta ou, realmente, enquadram-se na primeira alínea deste parágrafo.

Reafirmo, agora em discussão generalizada, que reclamar “indenização para os negros que foram escravizados” ultrapassa as raias da loucura. Por essa ótica, todo judeu deveria reclamar a indenização do governo alemão pelo morticínio e confisco das fortunas de mais de 6 milhões de seu povo (cifras absurdamente superiores aos escravos trazidos para o Brasil); ou talvez os chineses pobres de hoje reclamar da Mongólia os danos que Gêngis Khan causou aos seus ancestrais quando conquistou a Ásia e escravizou diversos povos; a continuar pela idiotice, quem sabe todos os que sucumbiram diante do Império Romano. De forma mais contemporânea, até mesmo do governo russo (cujas cores vermelhas o tal citado gosta de ostentar em manifestações públicas) os descendentes dos milhares de deportados que foram mandados ao trabalho escravo nos campos da Sibéria, isso sem se falar no “desaparecimento” e morte de outros tantos milhares pelo mesmo regime comunista. E apenas isso, sem ser possível relacionar todas as conquistas e jugos que ocorreram ao longo a História humana.

Fico tentando entender de onde vem esse “frenesi” louco do brasileiro em reclamar “facilidades e indenizações”. Será que veio com a mentalidade dos criminosos que foram obrigados a “colonizar” as terras d’além mar no pós descobrimento? Será que vem da ginga de malandro? Por qual razão tantos povos sucumbiram ao jugo e renasceram, floresceram e frutificaram pelos méritos próprios, enquanto que o brasileiro é incapaz de dar um passo sem uma muleta? Coisa de brasileiro mesmo...

Finalizando, jamais usei o registro da OAB como escudo, pois falo – e sempre falarei – com minhas palavras e por minhas idéias; se a utilizo aqui, é porque ela me substitui o RG e é requisito obrigatório para publicação das Cartas. Entretanto, o tom irônico utilizado pelos missivistas no ataque ao registro da Ordem denota mais do que ironia e repúdio, uma lamentável inveja. Talvez seja por isso que alguns poucos dos que “lutam contra o racismo” defendam a “reserva de 20% das vagas” nas Faculdades. Relembro, contudo, que para o exercício da advocacia, não basta ter tido facilitado apenas o ingresso na graduação, pois após a faculdade é necessário habilitação em Exame de Ordem, e aqui, sim, ainda vale o mérito intelectual, ao contrário da nefasta “facilidade reservada”. Aqui, o mérito intelectual e a igualdade ainda é respeitado.

Em verdade, esse problema racial só existe na insignificância de quem precisa de uma bandeira para aparecer. No meu convívio diário, tenho amigos e conhecidos apenas, e não pessoas brancas, pardas ou negras. Trato-os com o mais absoluto e inegável respeito e dignidade, desde que recíproco; trato as pessoas pelo que são e demonstram, e não pela cor de sua pele. Discutir sobre isso, sim, é sustentar o racismo. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)