“A melhor maneira de ridicularizar um idiota é deixá-lo falarâ€. Talvez esta simples assertiva seja, por si só, suficiente para responder ao tal “professor Duílio Duka†e ao “Coletivo anti-racismo†que, em 19/12/02, fizeram publicar nessa Tribuna missivas em repúdio à minha pessoa, como que se sentindo ofendidos por uma carta de minha autoria. Para estancar definitivamente a verborragia utilizada, pelo insipiente conteúdo das missivas, percebe-se que ou não entenderam o caráter da 1a carta ou, realmente, enquadram-se na primeira alínea deste parágrafo.
Reafirmo, agora em discussão generalizada, que reclamar “indenização para os negros que foram escravizados†ultrapassa as raias da loucura. Por essa ótica, todo judeu deveria reclamar a indenização do governo alemão pelo morticínio e confisco das fortunas de mais de 6 milhões de seu povo (cifras absurdamente superiores aos escravos trazidos para o Brasil); ou talvez os chineses pobres de hoje reclamar da Mongólia os danos que Gêngis Khan causou aos seus ancestrais quando conquistou a Ásia e escravizou diversos povos; a continuar pela idiotice, quem sabe todos os que sucumbiram diante do Império Romano. De forma mais contemporânea, até mesmo do governo russo (cujas cores vermelhas o tal citado gosta de ostentar em manifestações públicas) os descendentes dos milhares de deportados que foram mandados ao trabalho escravo nos campos da Sibéria, isso sem se falar no “desaparecimento†e morte de outros tantos milhares pelo mesmo regime comunista. E apenas isso, sem ser possível relacionar todas as conquistas e jugos que ocorreram ao longo a História humana.
Fico tentando entender de onde vem esse “frenesi†louco do brasileiro em reclamar “facilidades e indenizaçõesâ€. Será que veio com a mentalidade dos criminosos que foram obrigados a “colonizar†as terras d’além mar no pós descobrimento? Será que vem da ginga de malandro? Por qual razão tantos povos sucumbiram ao jugo e renasceram, floresceram e frutificaram pelos méritos próprios, enquanto que o brasileiro é incapaz de dar um passo sem uma muleta? Coisa de brasileiro mesmo...
Finalizando, jamais usei o registro da OAB como escudo, pois falo – e sempre falarei – com minhas palavras e por minhas idéias; se a utilizo aqui, é porque ela me substitui o RG e é requisito obrigatório para publicação das Cartas. Entretanto, o tom irônico utilizado pelos missivistas no ataque ao registro da Ordem denota mais do que ironia e repúdio, uma lamentável inveja. Talvez seja por isso que alguns poucos dos que “lutam contra o racismo†defendam a “reserva de 20% das vagas†nas Faculdades. Relembro, contudo, que para o exercício da advocacia, não basta ter tido facilitado apenas o ingresso na graduação, pois após a faculdade é necessário habilitação em Exame de Ordem, e aqui, sim, ainda vale o mérito intelectual, ao contrário da nefasta “facilidade reservadaâ€. Aqui, o mérito intelectual e a igualdade ainda é respeitado.
Em verdade, esse problema racial só existe na insignificância de quem precisa de uma bandeira para aparecer. No meu convívio diário, tenho amigos e conhecidos apenas, e não pessoas brancas, pardas ou negras. Trato-os com o mais absoluto e inegável respeito e dignidade, desde que recíproco; trato as pessoas pelo que são e demonstram, e não pela cor de sua pele. Discutir sobre isso, sim, é sustentar o racismo. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)