08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Para a acordar


| Tempo de leitura: 3 min

Não me dirigi diretamente ao redator porque penso que a Tribuna não tem apenas um redator. O jornal é uma equipe. Um jornal que é hoje sem dúvida o maior orgulho do povo de Bauru. O mesmo orgulho que foram outrora nosso entroncamento ferroviário, nossa Faculdade de Direito, nosso Estádio Ubaldo de Medeiros, hoje Alfredo de Castilho, que chegou a ser o melhor estádio do Interior.

Há pouco tempo atrás passei alguns meses na cidade de Uberlândia-MG, e quando vinha passar os fins de semana aqui levava comigo os exemplares do JC e mostrava aos triangulinos, como são chamados, e que ficavam de boca aberta com a qualidade do nosso JC, jornal que eu tenho a honra de acompanhar desde o seu nascimento, há 35 anos, até hoje. Foi tão grande o seu progresso que hoje não existe concorrência. O JC está para Bauru assim como a Globo está para o Brasil. Se houvessem concorrentes, estes certamente brigariam pelo 2.º lugar.

Embora não seja freqüente como muitos outros leitores, de quando em quando uso a Tribuna do Leitor desde que ela existe. Motivo que muito me orgulha.

Só que para meu desapontamento percebo que após Nilson Costa ter assumido a Prefeitura de Bauru, o que pessoalmente foi uma das maiores decepções que tive, a Tribuna deixou de primar de democracia absoluta. Deixou de ser só nossa (leitores e assinantes) e passa pelo crivo dos senhores redatores, lembrando um pouco a famosa censura que acontecia durante a ditadura militar.

Compreendo que nem todas as cartas podem ser publicadas. Vocês devem receber enormes absurdos. Muitos devem tentar usar a coluna para propagandas, por exemplo, ou então para resolverem desavenças pessoais. Outros usam a coluna para preparar candidaturas políticas próprias ou de amigos, etc. No meu caso, não. Jamais terei pretensões políticas. A minha grande preocupação é o estado que se encontra nossa cidade que hoje perde em progresso para dezenas de cidades que, comparando-se à nossa, até há pouco eram insignificantes.

Entendo também que não é culpa desse prefeito o lastimável estado em que se encontra nossa cidade. O asfalto ruim deve-se a administrações anteriores, assim como obras inacabadas que não deveriam nem ter sido começadas. Quando ele fala que encontrou a prefeitura quebrada e que os recursos financeiros são poucos é a pura verdade, o que eu lamento é que esses recursos estão muito mal usados pela administração, só que eu falo onde, porque e deixo para vocês verem in loco se desejarem. Eu ando pela cidade. Sou bairrista e me preocupo com a cidade onde nasci há 52 anos e onde nasceram minhas três filhas. Porém, isso será assunto da minha próxima e última tentativa de criticar, sim. Mas no intuito de acordar aqueles que deveriam estar alertas.

Parabenizo mais uma vez o jornal por tudo, mas lembro que às vezes dar muita proteção a uma pessoa que se quer bem, ou por gratidão, acaba prejudicando toda uma população que está carente em todos os sentidos.

No encerramento do ano desejo a todos da redação um 2003 cheio de sucesso e oro a Deus para que os ilumine, pois sou sabedor que a missão de vocês às vezes é bastante espinhosa. Para que Deus os oriente no sentido que as informações passadas através do jornal sejam sempre de soluções e, principalmente, de justiça, sem prejudicar nem favorecer ninguém. (Vítor Rodrigues Ruiz - RG: 11.225.892)