09 de julho de 2026
Saúde

Armários nas escolas são raros

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Se todas as escolas disponibilizassem armários para que seus alunos pudessem guardar lá seus livros e outros pertences, o problema do excesso de peso da mochila poderia ser solucionado ou amenizado. Porém, somente algumas instituições fazem isso, pois trata-se de uma iniciativa cara e que exige espaço físico extra.

De acordo com o diretor regional de Ensino de Bauru, Jair Sanches Vieira, na rede pública estadual da cidade somente o Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefam) tem armários para seus alunos.

“Porque é uma escola em que o aluno permanece o dia todo. Nas outras unidades da rede, as salas de aula têm armários para guardar materiais de uso coletivo e materiais que pertencem à instituição”, explica.

Para o governo, equipar todas as escolas seria inviável. Primeiro porque todas as unidades recebem um número grande de alunos. Algumas escolas têm 2 mil estudantes matriculados por ano. Segundo, porque estas escolas não têm espaço ocioso onde poderiam ser colocados os armários. Seguindo o exemplo acima, seriam necessários 2 mil armários numa única escola.

A diretora do Cefam, Olynda Aparecida Bassan Franco salienta que a unidade acolhe cerca de 440 alunos em período integral. São nove aulas por dia, o que significa nove cadernos e nove livros, pelo menos. “Além disso, os alunos têm aulas práticas onde usam grande quantidade de materiais pedagógicos. Não dá para levar e trazer isso todos os dias”, observa.

Ela salienta, também, que cerca de 30% dos estudantes matriculados no Cefam vêm de cidades da região. “Além dos livros, eles têm que trazer alguns pertences, blusas, marmitas. Então, é necessário oferecer armários onde eles possam guardar tudo isso”, comenta.

Questionado sobre o excesso de material escolar transportado pelos alunos, Vieira afirma que todas a escolas orientam os estudantes a separar o material diariamente, conforme os horários pré-estabelecidos. “Tem alunos que levam tudo sempre, mas nossa recomendação é que eles carreguem só o que é necessário para o dia”, lamenta.

A disponibilização de armários é uma iniciativa mais comum nas escolas particulares. No Colégio São Francisco de Assis, por exemplo, todas as salas têm armários. Nas salas de 1.ª a 4.ª séries, há os casulos ou caselários. Cada aluno tem um espaço com seu nome onde pode deixar o material.

Para alunos de 5.ª série em diante, há um armário para cada disciplina - nesta escola, há uma sala para cada matéria e são os alunos que mudam de ambiente quando toca o sinal.

De acordo com a psicóloga Cláudia Regina da Costa Chaves, o aluno é convidado a deixar seu material na escola. “A menos que ele vá precisar do livro ou do caderno para estudar ou para fazer tarefas em casa”, explica.

Questionada sobre as razões que levaram a escola a oferecer os armários, a psicóloga explica que é uma forma de propiciar o desenvolvimento do senso de responsabilidade. As crianças aprendem a cuidar do que é seu e aprendem a respeitar os pertences do colega.

“E aprendem também a noção de prioridade. Eles têm que refletir sobre o que realmente vão precisar levar para casa naquele dia e o que pode ser deixado na escola. Os mais desorganizados sofrem com isso, porque esquecem em casa ou deixam o livro de matemática na sala de geografia. Mas é um trabalho contínuo de formação e de convivência”, comenta.