08 de julho de 2026
Saúde

Desvios graves têm causa hereditária

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com os ortopedistas, o peso excessivo e o transporte inadequado dos materiais escolares não são os únicos responsáveis pelos desvios de coluna. Nos casos em que há deformidades graves sempre existe um fator hereditário envolvido.

O médico Fabrício Farina explica que o material escolar sozinho pode acarretar alterações musculares que favorecem alterações na postura. Na maioria das vezes, são problemas que podem ser revertidos com mudanças de hábito e exercícios de correção postural.

As deformidades ósseas graves só ocorrem em crianças em que há uma predisposição genética para isso. Nesse caso, o uso inadequado do material pode antecipar ou agravar o problema.

“É como fazer um exercício errado. Se a criança tem o joelho em ‘x’, nós usamos um aparelho que empurra o joelho dela para fora para corrigir. Se ela tem o dorso curvo e você coloca uma mochila pesada na frente, vai puxar a coluna mais para a frente. Ao contrário, se ela usa mochila nas costas, ela está fazendo um exercício de correção postural”, observa o ortopedista Alberto Sala Franco.

Neste sentido, se a criança tem uma tendência à escoliose e carrega o material numa mochila pendurada no ombro, sempre do mesmo lado, o peso estará exercendo uma força ainda maior sobre uma estrutura que já está propensa a se desenvolver torta.

“Há casos em que a criança está em tratamento e o médico prescreve meia hora de exercícios de correção por dia. Mas ela caminha 40 minutos entre a casa e a escola carregando peso de maneira errada. No fim do dia, ela terá feito mais força contrária do que a favor. Por isso é tão importante saber como carregar a mochila”, defende.

O ortopedista Fabrício Farina aconselha os pais a fazer um exame periódico dos filhos. “Basta observar a criança vestida de biquini ou sunga. Olhando a criança de lado, é possível perceber se ela tem os ombros caídos (corcunda) ou se a porção inferior da coluna está curva demais (lordose). Depois, olhando de costas, pode-se observar se os ombros estão na mesma altura ou se há alguma assimetria”, explica.

Segundo ele, são observações clínicas rápidas, que podem ser feitas em casa de vez em quando. Quando uma alteração é percebida no início, o tratamento é mais fácil e muito mais rápido. No entanto, se houver uma tendência hereditária e nada for feito, o quadro pode agravar-se ao ponto de ser necessário o uso dos desconfortáveis coletes ortopédicos ou mesmo de tratamento cirúrgico.

Pesquisa aponta tropeções como maior risco

Estudantes que carregam mochilas pesadas têm mais chances de se machucar tropeçando nelas do que de sofrer problemas na coluna, disseram pesquisadores esta semana.

O estudo publicado na Revista Pediatrics aponta que cortes e torções resultantes de tropeções nas mochilas ou de golpes causados por elas são os problemas mais comuns. também é freqüente que os alunos machuquem as mãos ao tentar pegar algo dentro delas.

Os pesquisadores disseram que os alertas a respeito dos problemas de coluna acarretados pelo excesso de peso das mochilas são praticamente inúteis. Segundo eles, mochilas mais leves reduziriam os problemas em menos de um quarto. Mais eficiente, dizem eles, seria ensinar as crianças a acondicionar melhor as coisas nas mochilas e a chacoalhá-las menos durante o transporte.

Segundo a Comissão de Segurança do Consumidor dos EUA, houve mais de 12 mil lesões provocadas por mochilas no país entre 1999 e 2000. Os pesquisadores estudaram centenas de casos e descobriram que em 89% deles a lesão não foi nas costas. Cabeça, mãos, braços, ombros e pés são as partes mais atingidas.

“Recomendar que as crianças coloquem as mochilas em local seguro para não tropeçar e que não as usem como armas para atingir outras pessoas (são medidas que) poderiam reduzir mais de 40% das lesões por mochilas”, escreveu o ortopedista Brent Wersema, autor do estudo, que trabalha em um hospital de Warren, Michigan. (Reuters).