08 de julho de 2026
Saúde

Carteiras e cadeiras merecem atenção

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Cadeiras, carteiras e o modo como o aluno se posta em sala de aula também são fatores que podem causar e prevenir alterações de coluna. De acordo com o ortopedista Fabrício Farina, o Brasil dá pouca importância para isso. “Aqui, o aluno tem que adaptar-se às cadeiras, quando deveria ser o contrário”, comenta.

Segundo ele, cadeiras e carteiras deveriam acompanhar a faixa etária das crianças, aumentando de tamanho de acordo com o ganho de estatura padrão. Na maioria das escolas, porém, os equipamentos são padronizados. Algumas vezes, a mesa é alta demais para uma criança pequena. Outra vezes, o espaço é apertado demais para um estudante de pernas compridas.

Outro problema apontado pelo médico são as cadeiras que têm o braço para escrever. Dependendo do formato, o estudante tem que torcer a coluna para conseguir apoiar o braço adequadamente.

“A cadeira ideal é aquela em que o encosto e o assento formam um ângulo de 100 graus. O encosto tem um contorno para acomodar a região lombar e ela tem braços para que o aluno descanse os cotovelos, evitando tensão exagerada na região do pescoço”, descreve.

A altura da cadeira também é importante, segundo ele. O joelho deve permanecer dobrado (ângulo de 90 graus) de modo que os pés fiquem totalmente apoiados no chão. “Se o pé ficar balançando no ar ou se ficar sobrando e ele tiver que esticar a perna, isso vai gerar uma sobrecarga na coluna”, afirma.

Os pés firmes no chão ajudam a distribuir o peso em toda a parte inferior do corpo. Se os pés estão no ar, o peso fica no quadril e nas coxas. Se os pés estão esticados e o corpo “escorrega” no assento da cadeira, o peso concentra-se na base da coluna, quando o ideal é que ele seja adequadamente distribuído entre os ossos do quadril, com apoio dos pés.

Na opinião do ortopedista Alberto Sala Franco, a pior cadeira é aquela cujo encosto é oco e não oferece apoio à coluna lombar. “O encosto reto também não é bom, pois causa dor. E um aluno que sente dor ou desconforto na carteira vai passar a aula toda se mexendo em busca de uma posição mais agradável. Com certeza, ele não estará devidamente concentrado no professor, nem na matéria”, conclui.