09 de julho de 2026
Geral

Horto é ocupado por reforma agrária

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo com aproximadamente 100 pessoas invadiu e montou acampamento no Horto Florestal de Aimorés, em Bauru, ontem pela manhã. Eles afirmam não pertencer a nenhum movimento de sem-terra ou sem-teto. “Somos pela reforma agrária”, alegam.

Uma das acampadas, que se identificou apenas como Rose, informa que as famílias vieram de várias regiões do Estado de São Paulo. “O que nós queremos é terra de onde possamos tirar alimentos e sobreviver. Então, a gente vem caminhando, fica sabendo de uma área que poderia servir à reforma agrária e se instala. Mas se o governo mandar para outra região onde haja reforma agrária, a gente vai para qualquer lugar”, ressalta.

Apesar de falar em nome de todos, Rose explica que o grupo não tem líderes (todos têm autonomia), nem vínculos com outros movimentos. Questionada sobre a origem do grupo, ela justifica que são pessoas que necessitam de emprego e alimentos que vão se conhecendo e se unindo para lutar pelas próprias necessidades.

Sobre o tamanho do grupo, Rose afirma que são 100 famílias e que outras 200 famílias estão a caminho e devem chegar nos próximos dias. No momento da visita da reportagem, havia aproximadamente 100 pessoas no local (homens, mulheres e crianças), dois caminhões e alguns veículos de passeio.

Os acampados estavam divididos. Enquanto uma turma montava as barracas, outra cuidava da comida. Diante do pedido para conversar com outros membros do grupo, Rose alegou ao Jornal da Cidade ter sido designada para atender a imprensa. “Todo mundo está correndo para montar e guardar nossas coisas antes da chuva”, alegou.

Segundo ela, as famílias deverão permanecer no acampamento por tempo indeterminado, até que o governo as assente. “Estamos mostrando nossa luta, nossa esperança no Lula, que ele olhe para todas as famílias, em todos os acampamentos (do País)”, salienta.

Indagada sobre o pedido do presidente para que a população tenha paciência, já que mudanças exigem certo tempo, ela responde que todos estão aguardando. “Vamos esperar que o Lula cumpra a promessa de assentar 100 mil famílias”, completa.

No momento da ocupação, funcionários da empresa VCP Florestal S/A (Grupo Votorantim) acionaram a Polícia Militar e registraram boletim de ocorrência por esbulho posessórios (invasão de propriedade). A empresa é arrendatária de parte das terras do horto, a Fazenda Guaianás e as informações iniciais são de que a ocupação ocorreu na divisa da gleba arrendada.

Além da polícia, a empresa colocou dois seguranças particulares numa das extremidades do acampamento. Segundo policiais, a instalação das famílias ocorreu sem qualquer incidente.

De acordo com o delegado de plantão, Fábio Mariotto, o caso foi encaminhado à Delegacia Seccional Bauru e ao juiz da Comarca, para que seja seguido todo trâmite legal referente à reintegração de posse.

Antigo horto

A Fazenda Guaianás, terras do antigo horto florestal de Bauru, era usada pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro para retirar lenha para abastecer suas locomotivas a vapor. Atualmente, uma parte da área é arrendada pela empresa de celulose do Grupo Votorantim e outra vem sofrendo invasões.

Quando a Fepasa - sucessora da Paulista - foi transferida ao governo federal, o então governador Mário Covas determinou que seus hortos fossem reservados para o desenvolvimento de programas de reforma agrária, mas essas terras - inclusive as de Bauru - ficaram abandonadas e hoje sofrem a ação de grileiros.

Recentemente, a Justiça de Bauru promoveu a reintegração de posse de uma parte da área arrendada à Votorantim, onde grileiros já haviam construído uma cerca e barracos e se preparavam para criar gado. A ocupação de hoje - a primeira da região desde a posse do novo governo - foi pacífica e teve apenas o acompanhamento da Polícia Militar. (Agência Estado)