“Vim ver a seca do Nordeste, e vi a miséria de sempreâ€, disse o presidente Médici, numa de suas visitas àquela região.
O poeta João Cabral de Mello Neto, em Vida e Morte Severina, afirma que no Nordeste o brasileiro morre, de fome um pouco por dia, de velhice, aos 30 anos. O escritor nordestino Josué de Castro foi exilado do Brasil (na ditadura), pelos seus livros “Geopolítica da fome†e “Homens e caranguejosâ€. Era mordaz crítico da até hoje indústria da seca (foram, agora, vê-la de perto?).
Perdoem-me vocês, mas creio mais em camelos puxando água às costas, no Nordestão, do que um fim artificial da seca, grande negócio para homens de visão como a do deputado Inocêncio Artesiano de Oliveira, um dos coronéis do agreste (bonita palavra).
Lula - Deus o ouça! - está indo de frente: fome zero. Chegará a ver na TV os campos verdinhos, irrigados (pelos fazendeiros), e os 100 por dia, abrindo poços e açudes.
Não é ser pessimista, mas já temos 500 anos de fome bem vividos e bem conhecidos. Tomara ouça-te Deus, Betinho...
“Meu nome é Severino, não tenho outro de pia... Severino de Maria, aumento um sobrenome esperando que o nome longo me dê comida, casa, trabalho e açudes aos camponesesâ€. Viva o Lula! A última esperança (depois dos camelos...). (Danton Gamba)