10 de julho de 2026
Regional

Jaú vai expor calçados no Norte e Nordeste

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Jaú - Depois de conquistar seu espaço dentro do Estado de São Paulo e ampliá-lo para a região Sul e Sudeste do País, o setor calçadista de Jaú prepara-se para expandir novamente seus negócios. A prioridade agora é consolidar a presença do calçado feminino jauense no mercado do Norte e Nordeste - tido como emergente e promissor pelos empresários.

A realização da “1ª Jaú Fashion Shoes”, em Recife, pretende ser o primeiro passo rumo a essa conquista. Durante o evento, programado para o começo de abril, fabricantes de calçados de Jaú e região terão a oportunidade de negociar seus produtos diretamente com potenciais compradores nordestinos.

Para o segundo semestre, provavelmente em setembro, está prevista uma nova edição do evento. Desta vez, a cidade-sede da exposição deve ser Fortaleza.

Na opinião do publicitário Mário Augusto da Silva, organizador do evento, o setor calçadista de Jaú sempre trabalhou voltado para o Estado de São Paulo - responsável pela compra de cerca de 80% de toda a produção local. Penetrar no mercado nordestino, segundo ele, seria uma forma de aumentar as vendas e acabar com a sazonalidade da produção, que sempre cai no meio do ano.

“Além do mais, é um mercado emergente e que merece ser explorado”, afirmou.

Por ser uma região do País onde o calor reina soberano, a venda de sandálias ocorre o ano todo e não há a necessidade de mudar os modelos nas prateleiras para a chegada da moda outono/inverno, por exemplo.

“Em janeiro e fevereiro, vende-se em São Paulo, com promessa de entrega para março ou abril. Depois disso, os fabricantes só voltam a vender em agosto, quando começa a moda primavera/verão, com entrega em setembro e outubro. Aí vem, novembro e dezembro, que é alto verão, e as vendas vão até o carnaval”, relatou o publicitário.

Segundo ele, no Nordeste as festas juninas e julinas são mais comerciais do que as de fim de ano. â€œÉ por isso que nós escolhemos o mês de abril para fazer a exposição. Quando chegar junho e julho, eles (produtores) estarão entregando os pedidos”, contou Silva.

Segundo ele, atualmente os calçados de Jaú vendem pouco no Nordeste. “Isso acontece mais por falta de oportunidade do que de qualidade do produto”, avaliou o publicitário.

Na opinião do publicitário, hoje não há razão para que a produção de calçados da cidade fique restrita apenas ao eixo Rio-São Paulo. Segundo Silva, o pico de vendas no Norte e Nordeste é diferente do que ocorre no Sul e Sudeste. Para ele, se esse fato for bem explorado, as indústrias calçadistas de Jaú podem acabar com a ociosidade em sua capacidade de produção.

“Tem fabricantes que já enxergaram o potencial do Nordeste e já organizaram sua própria exposição. Eles vão lá, entram em contato com os compradores, negociam e vêm embora”, revelou.

De acordo com o organizador do “Jaú Fashion Shoes”, as fábricas que se dispuseram a participar da exposição têm uma capacidade de produção ociosa. “Se conseguirmos preencher esse espaço vazio com a venda para um mercado que não é o tradicional será excelente”, declarou Silva.

Ao contrário de outras feiras calçadistas, o objetivo da “1ª Jaú Fashion Shoes” é levar o fabricante a entrar em contato direto com o comprador. Eventos maiores, como a Couro Modas e a Expocal, também servem para negócios, mas o forte destes é lançar moda e tendências.

Segundo Silva, a exposição de Recife, por ser a primeira, deve servir de parâmetro para eventos futuros. Mais precisamente para a feira de setembro, em Fortaleza.

â€œÉ a feira de Recife que vai dar para nós a idéia de possíveis mudanças, com relação a estrutura, amplitude do espaço, número de fabricantes a ser levado. É o sucesso do primeiro evento que vai dar subsídios para aprimorarmos a exposição de Fortaleza”, disse.

Na opinião do presidente do Sindicato das Indústrias do Calçado de Jaú, Ângelo Soave, a exposição no Nordeste “tem tudo para dar certo”. “Para as empresas, esse é um canal de vendas fantástico, que precisa ser explorado”, avaliou.

O evento em abril será no Hotel Recife Palace, ao lado da praia de Boa Viagem, um local de fácil acesso e com uma vasta rede hoteleira, pronta para receber o fluxo de visitantes e compradores.

Cidade faz convênio para exportar

Jaú - O Sindicato das Indústrias de Calçados de Jaú assinou em 2001 convênio de cooperação com a Agência de Promoção das Exportações (Apex) com o objetivo de incentivar as vendas do setor calçadista da cidade no mercado internacional.

Além de desenvolver a indústria local, o convênio tem como objetivo principal acabar com a sazonalidade da produção.

Para chegar a esse ponto, as empresas querem levar seus produtos para além das fronteiras do País. Entre os mercados mais cobiçados estão a América do Sul, Estados Unidos e Europa.

Hoje, apenas 15 empresas jauenses exportam seus calçados. Esse número representa apenas 10% do total de indústrias que estão instaladas atualmente na cidade.

Quase toda a produção da cidade - aproximadamente 60 mil pares por dia - fica em território nacional.

Fora do País, os principais compradores do calçado jauense são Inglaterra, Estados Unidos, Chile, Venezuela e Colômbia.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias do Calçados, Ângelo Soave, desde a assinatura do convênio com a Apex até hoje, as exportações aumentaram em 40%.

De acordo com os números apresentados pelo sindicato, a indústria calçadista emprega atualmente cerca de cinco mil pessoas em Jaú.