08 de julho de 2026
Geral

Com estoque reduzido de comida, sem-terras driblam as dificuldades

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O grupo acampado no horto é formado por famílias de várias partes do Estado de São Paulo e algumas de outros Estados, mas a maioria é da região de Campinas. Com provisão limitada de comida, eles ainda estão enfrentando a chuva constante dos últimos dias.

O grupo trouxe alimentos, que estão protegidos da chuva dentro de um caminhão, mas Celso relata que a provisão é suficiente apenas para uma semana. “Estamos pedindo doações porque a comida dá até o final de semana só”, conta.

Os sem-terra já estão fazendo uma horta na área ocupada. “Trouxemos mudas e já plantamos. Queremos produzir comida logo”, diz Júnior, outro acampado. Eles estão acampados próximos de uma mina, de onde retiram água para o consumo.

Tiane, que veio de Campinas com o marido e dois filhos pequenos - um de 4 meses e outra de 1 ano e quatro meses -, está driblando as dificuldades do acampamento. “Tivemos que emprestar um pedaço de lona porque estava chovendo na nossa cama. Está sendo muito difícil”, admite.

Na pequena barraca, além de Tiane, seu marido e os dois filhos do casal, ainda dormem a irmã dela com dois filhos. As camas são improvisadas - feitas de estacas - para abrigar os colchões.

O servente de pedreiro José, que morava em Hortolândia, conta que resolveu integrar-se ao movimento porque estava desempregado e sem perspectiva. “Eu estou desempregado desde 1997. Tenho cinco filhos e não estou tendo condições para cuidar deles. Então fiquei sabendo desse movimento, que é uma forma pacífica de cobrar reforma agrária, e resolvi participar”, diz.

“Estou confiante que o Lula, por ser um governo do povo, atenda nossa luta”, completa. Brasílio, outro acampado, morava em Campinas. “Eu já trabalhei na roça quando morei no Paraná e nos últimos tempos estava em Campinas. Fui empregado da prefeitura lá, mas estou parado e é difícil arrumar emprego com 60 anos”, conta. “Vim sozinho, mas pretendo buscar minha família”, acrescenta.