O grupo acampado no horto é formado por famílias de várias partes do Estado de São Paulo e algumas de outros Estados, mas a maioria é da região de Campinas. Com provisão limitada de comida, eles ainda estão enfrentando a chuva constante dos últimos dias.
O grupo trouxe alimentos, que estão protegidos da chuva dentro de um caminhão, mas Celso relata que a provisão é suficiente apenas para uma semana. “Estamos pedindo doações porque a comida dá até o final de semana sóâ€, conta.
Os sem-terra já estão fazendo uma horta na área ocupada. “Trouxemos mudas e já plantamos. Queremos produzir comida logoâ€, diz Júnior, outro acampado. Eles estão acampados próximos de uma mina, de onde retiram água para o consumo.
Tiane, que veio de Campinas com o marido e dois filhos pequenos - um de 4 meses e outra de 1 ano e quatro meses -, está driblando as dificuldades do acampamento. “Tivemos que emprestar um pedaço de lona porque estava chovendo na nossa cama. Está sendo muito difícilâ€, admite.
Na pequena barraca, além de Tiane, seu marido e os dois filhos do casal, ainda dormem a irmã dela com dois filhos. As camas são improvisadas - feitas de estacas - para abrigar os colchões.
O servente de pedreiro José, que morava em Hortolândia, conta que resolveu integrar-se ao movimento porque estava desempregado e sem perspectiva. “Eu estou desempregado desde 1997. Tenho cinco filhos e não estou tendo condições para cuidar deles. Então fiquei sabendo desse movimento, que é uma forma pacífica de cobrar reforma agrária, e resolvi participarâ€, diz.
“Estou confiante que o Lula, por ser um governo do povo, atenda nossa lutaâ€, completa. Brasílio, outro acampado, morava em Campinas. “Eu já trabalhei na roça quando morei no Paraná e nos últimos tempos estava em Campinas. Fui empregado da prefeitura lá, mas estou parado e é difícil arrumar emprego com 60 anosâ€, conta. “Vim sozinho, mas pretendo buscar minha famíliaâ€, acrescenta.